quinta-feira, 6 de julho de 2017

Pedagogia do saber espírita

Alexandre (Psicografia de Marcel Mariano)

A qualquer aprendiz ou estudante, seja de um ofício ou de uma arte, importa aprender o máximo que puder sobre a área escolhida, exercitando esse conhecimento teórico no óleo lubrificante da experiência cotidiana.
O mergulho consciente e perseverante nos livros e textos sobre o tema abraçado, o raciocínio metódico e constante diante dos grandes princípios que lastreiam uma arte ou doutrina são excelentes meios com que o aprendiz se vai nutrindo lentamente da seiva generosa e farta da árvore intelectual que escolheu para ascender no caminho do infinito aprendizado.
Essa pedagogia de cunho pessoal, em que o aluno converte-se em mestre de si mesmo, deve ser aplicada, igualmente, ao candidato à revelação espiritual, ora sob a denominação de Doutrina Espírita.
Doutrina sistêmica e lógica, assenta-se sobre princípios universais, quais sejam a existência de Deus e os seus atributos, avança pelo devassar do mundo espiritual e as multifacetadas expressões de seus habitantes; navega pelo estudo seqüenciado das soberanas leis que incidem sobre a consciência do ser imortal e aporta nas esperanças e consolações que aguardam todo aquele que se permite pautar por uma ética rigorosamente estribada no cumprimento de deveres e na austera disciplina dos sentimentos que estruturam a vida moral.
Essas quatro etapas, aqui tomadas de empréstimo de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, na excelente exposição metodológica ali inserida pelo Codificador (1), atendem ao mais arrojado plano pedagógico que se conhece, propondo-se à construção do saber espírita. Isso naturalmente nos leva à conclusão de que o entendimento profundo dos mecanismos que regem a vida e de como as Leis incidem sobre os destinos humanos, ofertando reações ante as ações ou omissões perpetradas ao longo da marcha evolutiva reclama tempo e investimento contínuo do amante da Verdade na aquisição da mesma.
Uma legítima aquisição de conhecimentos acerca dos princípios espíritas exige que o estudo seja uma constante na vida do apreciador dos textos espíritas, bem como é o mesmo ponte que faculta o despertar da consciência, impelindo o aprendiz da Verdade ao raciocínio lúcido e operante de suas potencialidades psíquicas, desdobrando-as em favor de todos e de si mesmo, no rumo de mais altos estágios de compreensão da vida e de seus maravilhosos mecanismos de atuação no concerto da infinita criação divina.
O saber espírita, pois, é tarefa que urge seja construída paulatinamente, tendo em vista que dia a dia novas conquistas se fazem necessárias, a fim de facultar a plena liberdade de ação espírita, ao mesmo tempo em que o faz prisioneiro voluntário da Lei Maior que nos rege, porque já estará a mesma insculpida nos refolhos da consciência profunda.
A Pedagogia, em sendo a arte de bem ensinar, na Doutrina Espírita adquire novo brilho e renovado valor, porque não só mune de recursos capazes de fazer o ser encarnado entender sua realidade objetiva, como antecipa para todos o funcionamento do enigmático país dos espíritos, onde a colheita de valores se apresenta compulsória diante de uma semeadura livre quando no cadinho carnal. Partindo do simples para o complexo, a Ciência Espírita descortina véus e alegoria, descerrando ao coração sedento de esclarecimento as imortais verdades de que se alimentam as almas em despertamento para Deus.
Diante, pois, do conjunto harmonioso e rico que o edifício doutrinário do Espiritismo se nos apresenta, nos inscrevemos na universidade do saber espírita, manejando o ferramental da superior pedagogia Kardequiana, na íntima esperança de que muitos outros irmãos nossos já se laurearam na forja do sofrimento e da dor, e nós outros, em marcha lenta, poderemos cursar a cátedra das experiências pela educandário do serviço ao próximo e, pelo verbo da pregação vivida, que fala mais alto do que todos os discursos ociosos da Terra, renovaremos a paisagem do mundo inteiro.

(Página recebida em 10.06.2002, em Salvador [BA].)

Nota do médium:

1. Referência às quatro partes constantes de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec.

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