domingo, 3 de janeiro de 2016

Sob a copa de uma árvore...

Francisco Muniz

A tradicional comunicação que o Espírito Irmão Jerônimo, mentor do C. E. Deus, Luz e Verdade, faz no primeiro dia de cada ano foi desta vez marcada pelo inusitado. Além das palavras encorajadoras pautadas pelos exemplos e ensinamentos de Jesus, exortando-nos a perseverar no caminho do autoconhecimento e da reforma íntima, nosso Mentor também declinou, através da médium Bernadete Santana, alguns detalhes de uma de suas últimas encarnações. Ele começou com sua saudação de praxe, pedindo que Deus nos abençoasse, e em seguida recordou as costumeiras caminhadas de Jesus por terras palestinas, indo ao encontro de seres que abençoava, ouvindo os pássaros e observando a Natureza, em que tudo era beleza. Jesus também orava ao Pai no silêncio, pedindo paz aos homens, até mesmo para os que nada queriam.
Sob a sombra amiga das árvores, o Mestre - prosseguiu Irmão Jerônimo - ensinava as belas lições da vida futura aos discípulos, observando que alguns deles ainda se ligavam ao passado, embora outros já manifestassem a coragem de abandonar tudo para seguir o Cristo, a porta estreita, o caminho que leva ao Pai. É importante viver o hoje, o presente, o já, disse o Mentor, ressaltando que Jesus ensinava isso aos discípulos ainda saudosos da família e das respectivas atividades laborais de antes, como a pesca. Jesus foi e continua sendo o Pastor divino, ponderou Irmão Jerônimo. "E continuará!", frisou, "neste planeta que o Pai Lhe confiou, para que o homem saiba o que é a Vida".

Jesus se entristece
O homem veio, pela reencarnação, não para vivenciar a realidade da matéria, informou, acrescentando que Jesus recomendou-nos abandonar a estrada larga, mas "o homem continua sem ouvir, sentindo-se proprietário de tudo e por isso Jesus muitas vezes se entristece". Para o Mentor, "observando a intranquilidade de quem aqui vive, o Mestre sente como se suas palavras não tivessem efeito", ante a arrogância e a ganância de muitos "que conservam a maldade do passado, desejando realizar o que nem sabem; mas voltarão [ao plano espiritual, após a morte do corpo] e vão sofrer, percebendo que nada levaram, porque nem a família lhes pertence".
Os homens se julgam grandes, mas se houve alguém realmente superior, esse é Jesus, comentou o Mentor, salientando que cada um tem seu tempo, pela consciência de cada um. Com isso, Irmão Jerônimo recomendou aos presentes que nos sentíssemos felizes com o que temos e com a família que possuímos, enfrentando a vida com coragem, nessa caminhada para 2016, felizes da vida, porque, disse, felicidade é estado de espírito: "Todos estamos aqui [encarnados] para crescer", afirmou. E esse crescimento passa pela frequência a uma casa como o CEDLV: "Aqui vocês vêm receber energia e ouvir a palavra para ver se entendem o que é dito", observou o Mentor, acrescentando que podemos crescer para Deus e melhorar intimamente: "Você pode, tem capacidade, pode dar as costas para o passado".

Tempo de crescer
Segundo Irmão Jerônimo, Deus dá sempre em acréscimo para a felicidade de seus filhos, mas estes não devem confundi-la com a felicidade do mundo, porquanto o que o Pai supremo oferece é o trabalho para quem quer trabalhar, a saúde para o corpo e para a mente - e esta tem preponderância sobre aquele, devendo sempre ser melhor cuidada. Ele afirmou também que a saúde do corpo não significa falta de doenças, mas a mente em equilíbrio: "É suportar as dificuldades sem queixumes", disse, ressaltando que os problemas fazem parte da vida no planeta, no qual as almas vêm e vão nessa caminhada e assim o homem vai crescendo.
Quem ouve a palavra de Jesus deleita-se com o Evangelho, quando assim desejar crescer, frisou o Mentor, Sobre o novo ano que se inicia, ele perguntou se continuaremos na luta da vida e das perturbações, salientando que na luta sim, com perturbação não! Para Irmão Jerônimo, a mente em equilíbrio vê a beleza da vida em tudo. Assim sendo, o homem consciente faz sua preparação para o trabalho cotidiano sem incomodar a ninguém: "Se você grita e reclama, está sendo uma porta aberta para eles", disse o Mentor, referindo-se aos Espíritos perseguidores, os quais nos induzem a atitudes desagradáveis, atrapalhando a convivência com os outros: "Eles gargalham e vocês não percebem", completou.

Deus em nós 
De acordo com o mentor do CEDLV, chegou a hora de dar um passo mais largo - e essa hora é já, completou, ponderando ser preciso isolar a energia negativa e cruel que ainda permeia em cada um de nós: "Experimente tudo com inteligência, como filho do Deus Perfeito, o Deus que em nós habita nos anima sempre", acrescentou Irmão Jerônimo, estimulando-nos a ter fé: "Vocês podem, desde já, fazer sua mudança interior". Ele também comentou os conflitos familiares observando que "quem está no lar faz parte de seu planejamento (reencarnatório), sem isso ninguém cresceria. Assim, ninguém se revolte nem tema os embates, porque "Deus está em cada um de nós, todos somos luz". Para o Mentor, quem se cerca de forças estranhas ao poder de Deus imagina viver, mas não vive: "Aquele que muito tem não vive feliz, com a mente preocupada com tudo vir a perder.
Em seguida, Irmão Jerônimo pediu-nos reconhecer a presença, no ambiente, dos Mensageiros do Cristo, os quais derramavam bênçãos sobre todos os presentes e nesse momento os corações se sentiam tranquilos, pela força do bem. Foi então que o Mentor encontrou ensejo para falar de si mesmo, recordando talvez sua última encarnação na Terra. Ele contou que costumava descer a ladeira do convento e ficava feliz por ver, lá embaixo, a árvore que o acolhia todas as manhãs: a brisa soprava suavemente naquele amanhecer acariciando as belas flores do caminho. Com uma Bíblia nas mãos, sentava-se sob a copa da árvore via as pessoas que passavam, cumprimentando a todas e brindando-as com uma palavra elevada. Era essa sua rotina matinal, antes de retornar ao convento para as orações habituais, pedindo pelo planeta e pela humanidade.

Vidas paralelas
Prosseguindo nessas reminiscências, o Mentor recordou sua meninice e juventude, considerando que, como espírito encarnado, buscava o caminho que precisava trilhar, embora sua família, rica e poderosa, seguisse outras vias. Ele vivia a época em que as mulheres eram por demais submissas e por isso sua mãe, segundo disse, "não tinha nenhum valor, só o homem tinha". Seu pai viajava constantemente "para recolher cada vez mais bens materiais" e era proprietário de muitos escravos que costumava maltratar. O menino se dispunha a visitar e conversar com essa "gente sofrida", mas seu pai não gostava disso. Um dia ele teve contato com a mensagem libertadora de Francisco de Assis, cuja experiência de vida é bastante similar à desse menino Jerônimo, que passou a refletir: "Se ele [Francisco] teve capacidade para abandonar tudo e caminhar livre, eu também tinha".
"Saí com uma só roupa e busquei os franciscanos, que me acolheram", disse Irmão Jerônimo, acrescentando que, quando seu pai voltou da viagem, encontrou sua mãe chorando desesperada e sua única irmã triste: "Mas me separei e tive uma vida muito feliz", ressaltou, salientando que devemos abandonar o que não nos serve: "Não é o abandono dos familiares, mas o de ser o que você não quer", ponderou. Para o Mentor, hoje em dia não há respeito entre os familiares: "Parceiros de vidas passadas que agora vivem juntos para se amarem, crescerem, mas vivem brigando, falta moral nos pais, que impõem aos filhos o que não fazem". No entanto, "nada melhor que a própria vida", ressalta Irmão Jerônimo, pedindo que agradeçamos a Deus pela vida, embora passageira, "e logo, logo vocês voltarão para a vida verdadeira, a espiritual", disse, acrescentando que o lugar que cada um haverá de ocupar depende de nós mesmos, porquanto a volta tem hora certa.

O fim dos "ismos"
Já perto de finalizar sua comunicação, Irmão Jerônimo pediu que Deus noa abençoasse e declarou que os trabalhos da Casa continuam, só haverá uma parada, como disse, no Carnaval e por esse motivo conclamou a todos a renovar as energias, na ocasião, indo à praia e olhar o mar: "Deus se manifesta naquela água", frisou. E mais: "Que estudem", pediu, salientando, por caridade, que devemos nos aperfeiçoar. Segundo o Mentor, venhamos ao Centro nos instruir, mas não fiquemos insistindo com quem não queira vir e busca outros caminhos. "Não interfira", disse, ponderando que "é melhor cada um seguir seu rumo, desde que siga a Jesus", porquanto os "ismos" vão acabar e se cumprirá a previsão evangélica de haver um só rebanho e um só Pastor - o Cristo.
A respeito dos novos tempos, Irmão Jerônimo afirmou que o que se vê no planeta não é a destruição total, mas um processo natural de transformação: "Cada um tem sua vez e tudo acontece para que hoje só exista um só rebanho e um só pastor", repetiu, concluindo que, "se Jesus é aquele que se transformou, você também pode se renovar agora, deixando tudo para trás, ser um novo homem, com Jesus no coração".


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