segunda-feira, 10 de março de 2014

Sutileza dos fenômenos anímicos

Yvonne do Amaral Pereira, Espírito (*)


O animismo representa um capítulo indispensável no estudo da prática espírita.
Nos códigos doutrinários, especialmente em O livro dos Espíritos e em O livro dos médiuns, encontramos importantes lições sobre os potenciais que cada alma encerra em si, tornando-a capaz de produzir um sem número de fenômenos à revelia da interferência dos Espíritos.
Cunhada pelo sábio russo Alexandre Aksakof, a palavra animismo, que vem do latim anima, se destina à explicação daqueles fenômenos transcendentais que são produzidos pela alma do médium sem a colaboração direta dos Espíritos; são, por isso, manifestações que vem do próprio ser, exteriorizando capacidades que todos possuímos, mas que, na maioria de nós, encontram-se dormitando.
Assim, é possível à alma promover movimentações de objetos e mesmo fenômenos inteligentes sem o concurso espiritual, a ponto de confundir o observador quanto à verdadeira causa de tais episódios.
Em O livro dos médiuns, no capítulo intitulado “o papel dos médiuns nas comunicações”, Allan Kardec explica suficientemente tais ocorrências, lembrando, na palavra dos Espíritos Codificadores, que o ser encarnado também é um Espírito que, embora encarcerado no corpo, por vezes logra desprender-se das amarras da matéria para gozar da plenitude de suas forças espirituais.
Somos da opinião, inclusive, de que nenhum fenômeno mediúnico há que dispense a colaboração anímica, ou seja, a participação do médium. Ousamos afirmar que essa colaboração é indispensável para que os fenômenos aconteçam, já que o médium, qualquer que seja ele, jamais é inteiramente passivo durante as comunicações, participando ora com seu vocabulário, ora com seus conhecimentos, ora, mesmo, oferecendo limites e ampliações àquilo que cada comunicante pretenda alcançar.
Confessamos que nada do que produzimos na mediunidade, quando encarnada, teríamos feito se não colocássemos nossos potenciais anímicos à disposição dos Espíritos. Quer nos desdobramentos, quer na psicografia, sobretudo por sermos médium consciente, participávamos positivamente na obtenção dos ditados, facilitando aos Espíritos cuidarem das questões mais importantes, desembaraçando-se de aspectos procedimentais que pudessem turvar as atividades.
Daí porque, não apenas do ponto de vista teórico, mas pela nossa experiência, consideramos relevante que médiuns e esclarecedores se debrucem sobre o estudo dos fenômenos anímicos, pois que representam uma sutileza a mais na prática da mediunidade. Não havendo fenômeno mediúnico sem fenômeno anímico, é imperioso compreender quando começa um e termina o outro, ou em que momento se confundem e se complementam, para que a prática espírita possa ser levada a efeito com maior tranquilidade e sem estranhamentos.
O estudo do animismo e dos seus fenômenos nos permitirá ver essas manifestações com a naturalidade de que se revestem, longe da atmosfera de perseguição e ridicularização que os cercam. Animismo não é crime nem um fantasma temerário, mas ocorrência natural e comum no trato mediúnico.
Busquemos em Kardec e nos seus vários continuadores as referências de que necessitamos, a fim de colocarmos nossos potenciais mediúnicos e anímicos, o mais que pudermos, a serviço do Evangelho e do Espiritismo.
Com votos de paz,

Yvonne

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(*) Mensagem recebida por Pedro Camilo em 07.09.11, para a XXVI Semana Telles.

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