sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Valores da prece

Francisco Muniz

1 - Que recompensa eu espero de Deus em minhas orações?

Primeiramente, queremos ser ouvidos para criarmos em nós a possibilidade de atendimento de nossos pedidos, o que será secundário, apesar de ser o motivo da oração. Assim sendo, a recompensa esperada é a de ser ouvido através do atendimento, seja pela concretização do pedido, seja pela consolação advinda da certeza quanto à atenção por parte do Divino. No entanto, o aprendizado das lições do Cristo nos diz que não se deve esperar recompensa alguma, porquanto o Pai já sabe de nossas necessidades todas e as preenche frequentemente, até mesmo quando julgamos nada receber ou merecer da Divina Misericórdia, fazendo-nos crer que não precisamos pedir, muitas vezes.
Outra razão para não esperarmos recompensa é o fato de precisarmos exercitar o desapego, o desprendimento em relação às coisas ligadas à realidade material e ocuparmo-nos sem ansiedade e expectativa das coisas do espírito, de modo que as respostas de Deus a nossos pedidos corresponderão aos atos que praticamos com desinteresse, tanto em nosso favor quanto em benefício dos semelhantes. Pra tanto, o que receberemos será o que não esperamos, na ordem de maior força (disposição) e coragem para enfrentarmos as dificuldades, colocando-nos receptivos e merecedores das benesses do Alto, posto que o Cristo nos alerta quanto a buscarmos primeiramente o Reino de Deus e sua justiça para que tudo o mais nos seja dado por acréscimo de misericórdia.

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2 - Qual a principal lição que eu vejo na oração do "Pai Nosso"?

Além de promover e enfatizar a necessidade de nossa religação com o Pai, em constante intercâmbio, a principal lição ali é, conforme entendemos, a do desapego pelo exercício do perdão, a cujo exercício somos chamados como forma de recebermos e merecermos o pão espiritual de cada dia. A prática do perdão, assim, deve ser vista como ato de libertação das almas do guante da matéria, que é o real impeditivo de nossa mais profunda vinculação com o Criador . E não se trata tão somente de perdoar o outro que nos feriu, mas perdoarmo-nos a nós mesmos por nossa capacidade de nos ferir e deixarmo-nos ferir em razão do egoísmo e do orgulho que ainda nos escravizam à inferioridade. Tal é a causa de nossa tendência a falir, cedendo às tentações (o mal) de que fala a oração ensinada por Jesus e das quais não nos livramos ainda, embora peçamos a Deus, seguidamente, esse benefício. E isto somente porque ainda não vencemos os arrastamentos próprios das vivências transatas.

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3 - Por que a oração só tem valor se incluir o perdão?

Porque é o que recomenda Jesus, sabedor de que essa é a condição sine qua non para obtermos o aval da Divindade, que quer que quebremos o quanto antes o vínculo com mo mal, caracterizado por nossa conduta egoística. O perdão - dar e pedir, especialmente este último - é exercício de humildade, abnegação e desprendimento, condições imprescindíveis para que estejamos merecedores das graças divinas. Se Jesus nos pede que, na hora de apresentarmos nossa oferta no altar do Senhor (a oração), vamos antes pedir perdão àqueles a quem ofendemos e perdoar a quem nos tenha ofendido, Ele sinaliza para a necessidade de nos purificarmos, a fim de que nossas orações atinjam o objetivo a que nos propomos. Isso será, então, buscar primeiramente o Reino de Deus e sua justiça, para que se faça o acréscimo de misericórdia.

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