terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Uma viagem ao século XIX

Francisco Muniz

O lançamento de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, inaugurando a Era Nova do Espírito na Terra, deu aos homens a real dimensão do mundo espiritual. Com a difusão da novel Ciência, muita gente - na Europa, Ásia e América - interessou-se em pesquisar a vida de além-túmulo, através do intercâmbio com os Espíritos.
Boa parte dessas pessoas era gente bem intencionada, desejosa de aprender as lições resultantes do intercâmbio com os seres espirituais, nas várias sociedades de estudo criadas com esse objetivo. Para facilitar esse trabalho, Allan Kardec idealizou uma nova obra, intitulada "O Livro dos Médiuns", com a qual os estudiosos do Espiritismo, nas palavras do Codificador, teriam aplainados os caminhos, fazendo-os aproveitar o fruto "dos nossos longos e laboriosos estudos".
Por que a necessidade dos livros, contudo, se antes que aquele que se tornaria o Codificador se interessasse pelo intercâmbio com os Espíritos ele já se processava nos salões de Paris? É que "far-se-ia uma ideia muito falsa pensando que, para ser perito nesta matéria, basta saber colocar os dedos sobre uma mesa para fazê-la girar, ou tomar do lápis para escrever".
O Livro dos Médiuns, porém, não apresenta nenhuma receita infalível para formar médiuns, avisa Kardec: "Conquanto cada um encerre em si mesmo o germe das qualidades necessárias para tornar-se médium, essas qualidades existem senão em graus muito diferentes, e seu desenvolvimento provém de causas que não depende ninguém fazê-las nasce à vontade".
O livro se destina principalmente às pessoas que, não dispondo de faculdades mediúnicas ativas, ocupam-se assim mesmo com as atividades espíritas. É o que Kardec explica na Introdução de O Livro dos Médiuns. As informações nele contidas são o guia das observações, capazes de tirar as dificuldades encontradas no desenvolvimento de uma nova ciência.
A obra é uma edição melhorada da Instrução Prática que Kardec havia publicado anteriormente, com a finalidade de guiar os médiuns na Sociedade Espírita de Paris, que fundou, ou fora dela. Contribui pra dar ao Espiritismo "o caráter que é sua essência", referindo-se à mediunidade como ferramenta do intercâmbio espiritual.
Segundo Allan Kardec, algumas pessoas teriam preferido um manual prático e bem sucinto com a indicação dos procedimentos para se entrar em contato com os Espíritos. Mas isso traria mais inconvenientes do que estímulos, pois só um estudo sério e completo pode prevenir as dificuldades que se encontrarão nessa tarefa.
Assim, ao contrário de multiplicar os médiuns, a difusão de "cartilhas" desse tipo certamente produziria má impressão nas pessoas mal dispostas ou desconhecedoras dos fenômenos mediúnicos, a partir de experiências feitas levianamente. "A ignorância e leviandade de certos médiuns causaram mais danos do que se crê à opinião de muitas pessoas", frisou o Codificador, a quem damos a palavra final.


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