terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Quem tem medo de amar?

Francisco Muniz


Afirma a veneranda Joanna de Ângelis que “a insegurança emocional responde pelo medo de amar”, o que faz com que as criaturas prefiram e muitas vezes exijam ser amadas. É que a insegurança é doença da alma e por isso “o indivíduo enfermiço, de conduta transtornada, inquieto, ambicioso, vítima do egotismo, evita amar, a fim de não se desequipar dos instrumentos nos quais oculta a debilidade afetiva, agredindo ou escamoteando-se em disfarces variados”. Assim, completa a benfeitora, “o medo de amar é muito maior do que parece no organismo social”. É que, diz ela, “as criaturas, vitimadas pela ambições imediatistas, negociam o prazer que denominam como amor ou impõem-se ser amadas, como se tal conquista fosse resultado de determinados condicionamentos ou exigências, que sempre resultam em fracasso”.
Evidentemente, pessoas nessa condição desconhecem a realidade franciscana de que, assim como se recebe dando, é amando que se encontra amor. Portanto, diz-nos Joanna: “Toda vez que alguém exige ser amado, demonstra desconhecimento das possibilidades que lhe dormem em latência e afirma os conflitos de que se vê objeto”. E diz mais a amiga espiritual: “O amor, para tal indivíduo, não passa de um recurso para uso, para satisfações imediatas, iniciando pela projeção da imagem que se destaca, não percebendo que, aqueloutros que o louvam e o bajulam, demonstrando-lhe afetividade, são, também, inconscientes, que se utilizam da ocasião para darem vazão às necessidades de afirmação da personalidade, ao que denominam de um lugar ao Sol, no qual pretendem brilhar com a claridade alheia”.
Conhecedora da psicologia profunda, Joanna de Ângelis diz que “o amor resulta da emoção, que pode ser definida como uma reação intensa e breve do organismo a um lance inesperado, a qual se acompanha dum estado afetivo de concentração penosa ou agradável, do ponto de vista psicológico”. Em função dessa emotividade, “o amor sempre se direciona Àqueles que são simpáticos entre si e com os quais se pode manter um relacionamento agradável”. Mas Joanna faz questão de esclarecer que esse conceito “se restringe à exigência do amor que se expressa pela emoção física, transformando-se em prazer sensual”. Desse modo, não poucas vezes essas experiências resultam frustrantes, levando o indivíduo a uma postura de reserva ou cautela, quando não se apresenta negativa.
“No medo de amar”, diz-nos Joanna, “estão definidos os traumas de infância, cujos reflexos se apresentam em relação às demais pessoas como projeção dos tormentos sofridos naquele período. Também pode resultar de insatisfação pessoal, em conflito de comportamento por imaturidade psicológica, ou reminiscência de sofrimentos, ou nos seus usos indevidos em reencarnações transatas”. A benfeitora chama-nos a atenção para a necessidade, no amor, de aproximação física, de contato e contiguidade com a pessoa querida, estabelecendo-se geralmente uma dependência emocional que se confunde com o verdadeiro sentimento. “Eis porque, muitas vezes, quando alguém diz com aflição eu o amo, está tentando dizer eu necessito de você, que são sentimentos muito diferentes”, pondera Joanna de Ângelis.
E “o medo de amar também tem origem no receio de não merecer ser amado, o que constitui um complexo de inferioridade”. É preciso, então, que as pessoas reconheçam suas carências e superem suas deficiências, pois esse medo deve ser substituído pela busca da afetividade, cuja falta é gerada pelo receio de manter um compromisso sério, conforme salienta a benfeitora espiritual. E essa afetividade, afirma Joanna, começa na amizade e termina no amor pleno. É indispensável, portanto, superar o conflito do medo de amar iniciando-se no esforço de afeiçoar-se a outrem, não gerando dependência, nem impondo condições. “Somente assim a vida adquire sentido psicológico e o sentimento de amor domina o ser.”

Fonte: Franco, Divaldo – Amor, imbatível amor; 2ª ed., LEAL, Salvador, 1998.

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