segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Fluido, espírito e matéria

Francisco Muniz

"Haveria dois elementos gerais do universo, a matéria e o espírito?" A esta pergunta de Allan Kardec - a 27.ª de O Livro dos Espíritos -, os Espíritos Superiores respondem que "sim, e acima de ambos Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal". Mas, acentuam os autores da Codificação, "ao elemento material é necessário ajuntar o fluido universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, demasiado grosseira para que o espírito possa exercer alguma ação sobre ela..."
A respeito da natureza desse fluido, os Espíritos Superiores, ainda respondendo a Kardec, informam o seguinte: "Se ele fosse simplesmente matéria (de certo modo, dizem os Espíritos, é possível considerar o fluido como elemento material, embora ele se distinga por propriedades especiais), não haveria razão para que o espírito não o fosse também". Ele, o fluido, está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria; suscetível, em suas inumeráveis combinações com esta, e sob a ação do espírito, de produzir infinita variedade de coisas, das quais não se conhece mais do que uma ínfima parte. Sendo o agente de que o espírito se serve, esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão, e não adquiriria jamais as propriedades que a gravidade lhe dá.
Kardec aprofunda essas noções em O Livro dos Médiuns e A Gênese, esclarecendo-nos, através das respostas dos Espíritos Superiores, que o fluido universal não é uma emanação da Divindade, embora seja criação de Deus. É, também, o princípio elementar de todas as coisas, sem ser a fonte da inteligência, não animando, por isso mesmo, a não ser a matéria. Assim, para a produção dos fenômenos físicos, é preciso aliarem-se duas forças: o espírito, que lhes dará causa, e o fluido, que será seu instrumento.
Como exemplo, o Codificador cita "um fato bem conhecido em magnetismo, mas até o momento inexplicado, que é o da mudança das propriedades da água pela vontade. O espírito atuante é o do magnetizador, o mais comumente assistido por um espírito estranho; ele opera uma transformação com a ajuda do fluido magnético que, como se disse, é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica".
Ainda segundo Allan Kardec, no estado de eterização o fluido cósmico não é uniforme; sem cessar de ser etéreo, passa por modificações tão variadas em seu gênero, e mais numerosas talvez, do que no estado de matéria tangível. "Tais modificações constituem fluidos distintos que, se bem sejam procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais, e dão lugar aos fenômenos particulares do mundo invisível".
O pesquisador espírita cearense Luiz Gonzaga Pinheiro é um dos que colaboram para o desenvolvimento das teses da Codificação. Diz ele que "servem-se desse fluido não somente os Espíritos Superiores, ms todos os espíritos, que com ele fabricam os objetos que lhes são íntimos e habituais, por vezes até sem se aperceberem, dando-lhes existência enquanto perdure o pensamento, agente materializante, dirigido a tais objetos".
Pinheiro ressalta que as combinações do fluido dão nascimento até mesmo à "força gravítica suportável pela vida, que aguarda o momento de palpitar em qualquer mundo, refletindo as vibrações que lhes serão próprias". Ele conclui dizendo que "assim falando temos um fluido com poderes quase de um Deus", salientando porém que importa saber que foi Deus quem criou o fluido com essas atribuições, "o que reflete sua suprema inteligência".

Referências

Franco, Divaldo P. - Estudos Espíritas, pelo Espírito Joanna de Ângelis. FEB, 6.ª ed. Rio de Janeiro, 1995.
Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns. IDE, 34.ª ed. Araras (SP), 1995.
___________ - A Gênese. LAKE, 17.ª ed. São Paulo, 1994.
___________ - O Livro dos Espíritos. LAKE, ed. especial. São Paulo, 1957.
Pinheiro, Luiz Gonzaga - O Perispírito e suas Modelações. EME, 1.ª ed. Capivari (SP), 2000.

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