terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Doutrinação: ato de amor

Francisco Muniz

Muito se tem propalado, nas lides da mediunidade com Jesus, que a primeira terapia aplicada aos espíritos sofredores é o choque anímico, ou seja, quando o médium psicofônico, ao emprestar o veículo carnal para a "incorporação", atua como um mata-borrão, sugando as energias deletérias do comunicante. É, mesmo, um grande bem que se presta, nas salas mediúnicas, a dezenas e dezenas de irmãos em infortúnio no "lado de lá" da vida. Mas é preciso convir que também para os espíritos que só venham tomar o "banho" renovador do choque anímico a terapia da palavra é recursos que não deve ser desprezado pelos médiuns esclarecedores, ainda que os necessitados do plano espiritual prefiram se manter em silêncio. Respeitando a condição e a escolha de cada um, o doutrinador deve aliar sua boa vontade a uma grande dose de compaixão sincera e dar de si mesmo em favor daqueles que buscam preencher suas carências morais. Deve, o médium esclarecedor, antes de mais nada, ter em mente que aquele a quem presta atendimento, pode ser um antigo companheiro do passado que está ali mais auxiliando que sendo auxiliado, malgrado sua condição infeliz no momento.
Diz-nos Divaldo Franco que não é necessário ser um técnico, um especialista, para desempenhar a função de doutrinador. É importante, contudo, utilizar sempre o bom senso, ouvindo atentamente as ponderações do comunicante antes de dirigir-lhe a palavra orientadora. Não vale despejar termos que indiquem retomada do bom caminho se não se chegou ao conhecimento da problemática do visitante. O médium doutrinador deve, portanto, educar-se nas técnicas psicológicas do bom relacionamento, de modo a estar confiante e atrair a confiança daquele de que depende de suas orientações. Deve estar equilibrado para assegurar o equilíbrio da atividade que desempenha, sem pôr em risco todo o serviço de atendimento espiritual de que participa.
Ainda é Divaldo a informar: " O médium doutrinador, que é também um indivíduo suscetível à influência dos Espíritos, pode desajustar-se no momento da doutrinação, passando a sintonizar com a Entidade Comunicante e não com o seu Mentor e, ao perturbar-se, perde a boa direção mental, ficando a dizer palavras a esmo". Em vista disso, impõe-se ao esclarecedor a adoção de padrões de qualidade, para que possa cumprir suas tarefas condignamente, sendo um fiel instrumento da equipe espiritual diretora dos trabalhos na sala mediúnica.
"O médium doutrinador tem um perfil próprio que o deve caracterizar e a tônica dentro desse perfil deverá ser a racionalidade, o que não significa frieza, ms a base onde vai apoiá-ser no campo das ideias, para expressar seu trabalho num clima de segurança e estabilidade emocional capaz de infundir confiança naqueles que atende". Tais palavras são da equipe integrante do Projeto Manoel Philomeno de Miranda, que enfatiza a condição de amorosidade e boa disposição do doutrinador, embora deva este manter-se emocionalmente firme, sem dar-se a oscilações ou excitamentos.
Doutrinar, esclarecer, é como educar, ou seja, propiciar-se a si mesmo primeiro a oportunidade de aperfeiçoar-se moral e intelectualmente, ao tempo em que colabora para o entendimento do outro em relação a ele próprio, através da simples e sincera doação. Quando o tarefeiro compreende que não é ele, mas os emissários do Cristo que atuam através dele, e se oferece conscientemente como um bom canal para esse intercâmbio, então sua atividade se revestirá de sucesso, não apenas na sala mediúnica, mas em todos os aspectos de sua vida moral, pois entenderá que é também um médium atuando 24 horas por dia.

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