segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Despertamento

Francisco Muniz

Foram as mulheres que deram o alarme. Saíram correndo à procura dos homens, que se encontravam cuidando de seus interesses, e bradaram alto:
- O Cristo dorme sozinho na casa e precisa ser acordado!
E era atribuição dos homens manter o Cristo desperto, pois não éramos os discípulos? Corremos então, nós, os homens, para acordar o Cristo.
Chegando a casa, acudimos o Cristo que dormia sobre o chão mesmo, e o despertamos.
Então refeito,o Cristo amorosamente nos repreendeu dizendo que não o deixássemos só, pois do contrário adormeceria e de nada nos valeria. E, para que não dormisse, era preciso que estivéssemos sempre com ele, nós, os homens.

Essa narrativa resulta de um sonho e penso que ela pode nos facilitar a compreensão de certas coisas afeitas à nossa alma, ao modo como lidamos com nosso Cristo interno.
O Cristo interno pode ser entendido como a condição do Espírito consciente de si mesmo e desperto para sua realidade íntima, que o faz ligar-se holisticamente a toda a obra da Criação Divina.
Para facilitar ainda mais essa compreensão, tome-se como metáfora de nossa experiência espiritual a própria vida do Cristo Jesus, que não precisa ser aqui recontada.
Numa interpretação grosso modo do sonho relatado acima, e já consignado que quem dorme à distância dos homens e desperta à sua aproximação é o Cristo interno, vemos que o chão sobre o qual ele dorme é o plano físico, terreno, material.
Quando encarnado, esquecido de sua realidade espiritual, o homem/espírito dedica-se, qual criança, a assuntos que o prendem à satisfação dos sentidos. Somente mais tarde é que as necessidades espirituais parecem lhe falar mais alto e ele então se volta aos cuidados da ala.
Entretanto, o Cristo interno, que lhe dorme em latência, está constantemente alertando-o para o despertamento. É que efetivamente estamos "dormindo" quando nos demoramos no gozo do que é essencialmente material. Há quem diga que essa é uma condição de loucura, porque, nesse caso, não estamos realmente lúcidos a respeito de nossa realidade íntima, que é maior e mais verdadeira que a ilusão dos sentidos.

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