domingo, 5 de janeiro de 2014

Consciência de culpa

Francisco Muniz

Seres multimilenários, os espíritos transitam nos caminhos evolutivos sob o influxo das leis divinas inscritas na própria consciência. Vezes há, contudo, em que tais criaturas se deixam levar pelos arrastamentos das paixões que as cegam para os cometimentos felizes e se demoram na contemplação do mal. Entretanto, os apelos conscienciais não cessam jamais , porquanto inerentes ao próprio ser, cuja essência gravita sempre para Deus. Quando dá-se conta, enfim, de que precisa refazer os rumos e vê-se sem os recursos necessários para tanto, pois deixou de fazer conquistas nesse sentido, advém-lhe o remorso, que é o próprio sentimento de culpa a exigir-lhe a reparação dos erros cometidos.

Em muitos desses casos, porém, o ser se encontra tão comprometido com os quadros de padecimento provocado pelos equívocos que esquece de si mesmo e foge de sua herança divina, até ser despertado para a própria realidade e necessidades. Torna-se-lhe recomendável, então, como na Parábola do Filho Pródigo, recordar o passado em busca das matrizes da memória, reabrindo os arquivos anímicos que vão possibilitar a correção dos rumos elegidos e pô-lo de volta nos caminhos da luz.

“O caminho de quem deslustra o dever é estreito e difícil. Por isso, é melhor atender as obrigações, do que as defraudar. Educar é fácil, mesmo com os empecilhos que se apresentam; reeducar é mais complicado, corrigindo hábitos malsãos e instalando os dignificantes”, diz-nos o instrutor espiritual Dr. Carneiro de Campos, em “Trilhas da libertação”. Em sendo assim, entendemos que a consciência de culpa somente prevalecerá enquanto o ser não se decida pela reorganização de seus propósitos evolutivos.

A consciência de culpa pode ser incluída na classe das obsessões simples, aqui configurando-se a auto obsessão, provocada pela fixação do ser nos quadros mórbidos gerados pela lembrança contínua dos erros cometidos. A necessidade de reajustamento perante as leis eternas que malbaratou chega aos seres nessa condição como impositivo que não encontra resposta na mente desequilibrada, de momento impedida de discernir quanto aos caminhos a seguir. Nesse sentido, o Espiritismo surge como importante coadjuvante do processo de refazimento, oferecendo-lhe os meios de esclarecimento e superação da condição doentia...

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