domingo, 12 de janeiro de 2014

Atitude de amor...

Francisco Muniz

Em "Leis morais da vida", a benfeitora Joanna de Ângelis comenta, no capítulo intitulado Confiança e amor: "Se confias na Providência Divina, não te agastes em face das incompreensões que te surpreendem no ideal do bem a que te dedicas". Mais adiante, ela avisa: "Se preferes a dedicação exclusiva à Seara do Cristo, defrontarás empecilhos e mal-querenças onde esperavas que medrariam amor e fraternidade". Não é correto cultivar pessimismo nem sustentar ilusão de qualquer matiz, pondera a benfeitora, aconselhando-nos a não pretender distinções ou reconhecimento imediato, nenhuma cortesia especial, nenhum favoritismo ou mesmo entendimento fraternal. Pelo contrário, é preciso trabalhar com a consciência de que fazemos não por nós mesmos, uma vez que a obra a realizar, no campo da tarefa mediúnica, em nosso caso, é do próprio Cristo. Assim, "se confias na Misericórdia de Deus, trabalha sem desfalecimento e ama em qualquer circunstância, sem distinção nem preferências, recordando Jesus, que embora Modelo Ímpar, não encontrou, ainda, no mundo o entendimento nem a aceitação que merece".
Por sua vez, o Espírito Ermance Dufaux nos chama a atenção para a necessidade de burilarmos nossos bons sentimentos, tendo em mente que o afeto deve ser "entendido como nutrição espiritual insubstituível e essencial", porque "será preventivo e profilático em todas as fases da vida". Nesse aspecto, diz Ermance, "o centro espírita pode oportunizar a valorosa e preenchedora experiência do Amor auxiliando o homem na reeducação de suas tendências, no conhecimento de si, no exercício da solidariedade material e relacional e na supressão do personalismo, que permitirá o potencial afetivo dirigido a realizações nobres e gratificantes". Nesse exercício, entendemos, é imperiosa a ação constante do perdão, como integrante do processo de orar e vigiar que o Cristo ensina, como forma de resistirmos às tentações do mal em nós.
Ermance, em seu livro "Laços de afeto", toca num ponto crucial para o bom relacionamento entre os trabalhadores da Casa Espírita. Ela se pergunta, fazendo-nos refletir: "Como ajudar esses trabalhadores? O centro espírita tem arregimentado um programa para ensinar a transformação íntima? Tem havido clima nos grupos para que os tarefeiros possam dialogar construtivamente sobre seus conflitos? Ou temos nos iludido, transferindo responsabilidades pessoais para as ações obsessivas de desencarnados?" Enquanto meditamos nas possíveis resposta, lembremos-nos de que o melhoramento próprio, ainda que não despreze os estímulos exteriores, sempre valiosos, é, porém, tarefa individual de cunho impostergável.

Referências:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo, IDE, 2000.
Oliveira, Wanderley S. de - Laços de Afeto, pelo Espírito Ermance Dufaux, Inede, 2002.
Franco, Divaldo - Leis Morais da Vida, pelo Espírito Joanna de Ângelis, LEAL, 1976.

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