quarta-feira, 17 de julho de 2013

Solidão, silêncio e sintonia

Francisco Muniz

Um ser feito de silêncio e solidão - assim é o homem quando decide viver a mais encantadora e importante de todas as experiências: a da autodescoberta, para enfim realizar o auto encontro. É no silêncio que ele poderá ouvir a voz de Deus vibrando em sua alma; é na solidão que ele propicia o encontro com a Divindade. Dessas duas atitudes nasce a terceira - a sintonia, como resultado do esforço espiritual consciente, oferecendo como consequência a unidade com o Divino, mesmo momentaneamente.
Silêncio, solidão e sintonia, pois, são a equação que, pela Matemática divina, possibilita ao homem reconhecer-se espírito e idealizar melhor o mundo que ele tem a incumbência de realizar em si mesmo, intimamente. É em seu mundo interior que ele fará, conscienciosamente, nascer o Reino dos Céus propalado por Jesus, habitando nele e fazendo-se um com o Cristo e com Deus.
No entanto, o homem ainda não sabe silenciar e muito menos cultivar esse sentimento de verdadeira entrega que é a solidão, ou solitude. Tais instâncias, ou melhor, tal conquista é obtida unicamente pelo exercício da meditação e da concentração da mente, que deve ser disciplinada para alcançar esses estados de consciência.
Não se pense, portanto, que o silêncio e a solidão sejam atitudes isolacionistas a provocar o afastamento do ser consciente da convivência com seus irmãos em humanidade. Pelo contrário, elas permitirão maior envolvimento com os demais, embora num nível que a maioria das pessoas não percebe ainda, por isso as críticas costumeiras sobre quem opta por sua espiritualização.
O silêncio e a solidão, como dito, são necessários para estimular o contato com a dimensão divina e assim vamos encontrar Jesus, conforme faz ressaltar o Evangelho, retirando-se para orar no jardim das Oliveiras, ficando aí em completa solitude, em sua silenciosa conversa com o Pai. O príncipe Sidarta Gautama, tendo decidido alcançar a Iluminação e ser um Buda, afastou-se do mundo para meditar prolongadamente sob uma árvore, até compreender em que consistia a realidade humana. O profeta Jonas - diz-nos o Velho Testamento - foi forçado a habitar, por algum tempo, o ventre de uma baleia para assimilar a tarefa espiritual que lhe pesava sobre os ombros.
Assim é também com aquele que almeja o crescimento espiritual e começa a fazer os esforços imprescindíveis para tanto, recebendo em troca a incompreensão e muitas vezes o desprezo até mesmo por parte de seus entes queridos. Ele então sofre em silêncio e padece na solidão. No íntimo, contudo, ele está em paz, pois sabe que, se há solidão externamente, esta se deve tão somente à falta de presenças físicas ao seu lado, porque as companhias invisíveis são constantes.
O homem é, em essência, um espírito encarnado e detém em si a imortalidade, da qual seus instrutores invisíveis vêm dar-lhe provas incessantemente, falando-lhe na acústica da consciência. E é para ouvirmos com clareza essas vozes que precisamos guardar silêncio e cultivar a solidão, deixando que a alma dialogue com os emissário da Realidade imperecível.

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