domingo, 14 de julho de 2013

Raiva e ressentimento: eu perdoo?

Francisco Muniz

"Pai, perdoai-os, porque não sabem o que fazem." (Jesus)

Através do esforço do sábio de Lyon, o insigne Allan Kardec, os Espíritos Superiores, em nome do Cristo, vêm-nos ensinar as verdades que precisamos conhecer a fim de, como salientou o Mestre de Nazaré, tornarmo-nos livres de nossa inferioridade, marcada pela ignorância e seus filhos diletos, o orgulho e o egoísmo. Assim é que, em nossa jornada rumo ao aperfeiçoamento, as Entidades Luminares nos apontam a necessidade do autoconhecimento, única via para a conquista das alegrias celestiais que jazem em nós mesmos. Somente conhecendo a verdade íntima é que teremos acesso ao conhecimento da verdade externa, desse modo capacitando-nos para o compromisso consciente com a esfera espiritual superior, para a consequente unificação em Deus.
Dito isto, fica razoavelmente claro ser preciso nos aprofundarmos no estudo e prática do Espiritismo e do Evangelho, compreendendo o máximo possível o que vem a ser caridade em seu aspecto moral. Em O Livro dos Espíritos, duas questões devem merecer nossa atenção, nesse quesito. A primeira é aquela em que o Codificador inquire dos Espíritos Superiores sobre qual o modelo mais perfeito já oferecido ao Homem em sua necessidade de transformação moral, recebendo em troca esta resposta sintética: "Jesus". A outra é a que interroga sobre como Jesus entendia a caridade, ao que os Espíritos informam: "Benevolência para com todos; indulgência para com as faltas alheias; e perdão das ofensas".
Observemos então que o perdão das ofensas é semelhante à manifestação de indulgência e de benevolência para com todos. Ademais, recordemos que o Cristo Jesus nos recomendou amarmos aos inimigos explicando ser esta a maior expressão de caridade que podemos manifestar. Sendo assim, o que dizer acerca da raiva e do ressentimento? Que essas atitudes resultam de nossa inferioridade moral, só compreensíveis (e aceitáveis) nas criaturas que ainda não conhecem o teor dos ensinos de Jesus, ao passo que, para aqueles que já estão afeiçoados a tais lições, esse comportamento desabonador não deveria mais fazer mais qualquer sentido.
A raiva é um daqueles gigantes da alma de que nos falam os psicólogos estudiosos das problemáticas humanas no tocante aos relacionamentos. São quatro esses gigantes: além da raiva, algumas vezes identificada como ira, há também o ódio, o medo e o amor. Se pensarmos em nós mesmos, individualmente, como as ovelhas desgarradas que o Cristo veio reunir em seu rebanho, para que tenhamos "vida em abundância", perceberemos que necessitamos aprender a conviver da melhor maneira possível com os outros ou não teremos condições de experimentar as alegrias que certamente caracterizam o rebanho do Divino Pastor. É aí que se torna imperiosa a necessidade de transformação moral, através da renúncia a tudo que nos mantém na inferioridade.
A raiva e o ressentimento são próprios de quem ainda não se conhece, desconhecendo igualmente suas potencialidades e limites. Mas à medida que o ser realiza sua tarefa de autoconhecimento, fazendo uso das faculdades que lhe são próprias, tais como a razão e a inteligência, compreende que será mais sensato utilizar os recursos que a Divindade lhe oferece para mais depressa elevar-se acima das mesquinharias terrenas. Então ele perdoa e não se deixa enredar-se pelas energias desagregadoras do melindre, do ciúme e da inveja competitiva, paixões fomentadoras da raiva e do ressentimento, quando, ferido em seu orgulho, acumula mágoas e decepções.
Perdoar, portanto, é prerrogativa dos seres conscientes de si mesmos em pleno uso de sua inteligência, fazendo eco às palavras do Cristo: "Perdoai para que Deus vos perdoe"...

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