domingo, 9 de junho de 2013

Identidade espiritual

Francisco Muniz

"Reconhece-se o cristão por suas obras." Esta frase, cunhada por Allan Kardec nas páginas de O Evangelho Segundo o Espiritismo, remete-nos à epístola do apóstolo Tiago (cognominado o Maior), que num de seus versículos informa que "a fé sem obras é morta". Não são palavras de Jesus, mas fazem relembrar o ensinamento basilar da doutrina do Mestre de Nazaré, ao afirmar que "meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem".
Assim, se os cristãos são os discípulos do Senhor, é fácil reconhecer que as obras a que Kardec se refere são aquelas decorrentes do exercício de amar. É então que entendemos a profundidade do pensamento do Codificador quando elaborou, sob a orientação dos Espíritos Superiores, o lema do Espiritismo: "Fora da caridade não há salvação".
O exercício da amorosidade, ao qual os cristãos de hoje, especialmente nas hostes espíritas, são chamados a corresponder, constitui a prática da caridade, a qual, como sabemos, efetiva-se em dois campos distintos e complementares: moral e material. Aquele que se especializa no cultivo das virtudes para o fortalecimento da fé é levado, no âmbito do Espiritismo, a semelhante esforço, dando do que tem e principalmente do que é, em auto doação (caridade moral) em benefício de todos.
Quando assim procede, o cristão-espírita consciente de suas responsabilidades logo descobre que a caridade feita em favor de terceiros beneficia a ele próprio, razão pela qual é desnecessário almejar reconhecimento ou qualquer tipo de recompensa pelas ações meritórias que foi chamado a praticar. É desnecessário pensar em retorno porque o Bem é uma energia por demais abrangente, de modo que exercitá-lo, externando-o, é trazê-lo para si. Aquele, portanto que queira tornar-se útil sempre encontrará oportunidade para provar suas boas intenções, uma vez que Deus concede a todos a ocasião em que possam atender aos doces apelos da Caridade.
A esse respeito, recordemos a lição imorredoura do Mestre Jesus, que ao lado do ensinamento libertador oferecia a quantos quisessem segui-lo também o exemplo abnegado, mostrando como devemos proceder conosco mesmos e com os companheiros de jornada, a fim de mais depressa alcançarmos os objetivos correspondentes à evolução espiritual.
É necessário trabalhar, pois, esforçando-nos na compreensão das leis de Deus e pondo-as em prática incessantemente. Ouçamos mais uma vez o Mestre neste quesito, quando diz que "meu Pai trabalha desde sempre e eu também trabalho", apontando, com tais palavras, para o impositivo maior do progresso, porquanto sem trabalho não há crescimento espiritual, não há evolução.
E é o esforço, o trabalho, o meio de realizarmos as obras do Cristo na Terra e em todas as partes. Sendo assim, observaremos que os grandes missionários do Cristo entre nós têm vindo exortar-nos ao despertamento urgente, em prol da tarefa que compete a cada um, para cuja realização devemos nos dispor diuturnamente, sem pausa. Segundo o Benfeitor Bezerra de Menezes, o momento não é para repouso, de modo que o descanso também não deve ser cogitado, pois a hora pede esforço incessante no Bem...

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