segunda-feira, 11 de março de 2013

Disciplina e responsabilidade na atuação mediúnica


Francisco Muniz


Recapitulamos aqui as noções de responsabilidade que devem nortear o médium para o bom exercício de suas faculdades psíquicas. Em nossos estudos , até aqui, temos analisado a importância de aspectos como o estudo, a meditação, o compromisso e a vivência evangélica, como fatores decorrentes da conscientização de nosso papel de instrumentos da Espiritualidade. Tudo isso nos remete à necessidade de se estabelecer uma disciplina no sentido de fortalecermos a responsabilidade frente aos serviços mediúnicos que abraçamos e sobretudo em nossas atividades rotineiras, fora da Casa Espírita. Como sabemos, somos médiuns 24 horas ao dia e, como tal, é imperioso desenvolvermos e acalentarmos princípios éticos que nos vão conduzir à prática da mediunidade com Jesus.
Não basta apenas sermos capazes de produzir fenômenos – é preciso sermos cada vez mais bons instrumentos a serviço dos Espíritos Superiores. No prefácio do livro “Nos domínios da mediunidade”, o guia espiritual Emmanuel fala sobre a necessidade de asilarmos o Cristo no coração e na consciência, sob pena de ficarmos desorientados ao toque dos fenômenos. Segundo ele, “sem noção de responsabilidade, sem devoção à prática do bem, sem amor ao estudo e sem esforço perseverante em nosso próprio burilamento moral, é impraticável a peregrinação libertadora para os Cimos da Vida”. Se nossa real intenção é a de sermos bons médiuns, importa entendermos com clareza as noções de responsabilidade e disciplina.
Longe de divisar, para o medianeiro, falsas ideias de missões de avultada transcendência – somos, ainda, médiuns de prova, certo? –, a responsabilidade de que falamos deve fazer reconhecermo-nos “humildes portadores de tarefas comuns, conquanto graves e importantes como as de qualquer outra pessoa”. Isto é o que nos diz André Luiz, em “Conduta espírita”, acrescentando que “o seareiro do Cristo é sempre servo, e servo do amor”. Nesse aspecto, é de grande relevância a necessidade de auto evangelização: sem a vivência evangélica, aprendendo e praticando as lições de doação abnegada deixadas por Jesus, nossa atuação medianímica será como a de uma máquina que ao primeiro sinal de esgotamento será substituída.
Tratamos como seres tão carentes como nós mesmos – na verdade, somos até mais necessitados, uma vez que os Espíritos sofredores que ajudamos a atender vêm nos auxiliar em nosso trabalho de aperfeiçoamento, a dizer-nos com seus exemplos que é preciso transformarmo-nos para melhor. Temos, pois, necessidades a considerar e a primeira delas, conforme Emmanuel, em “O Consolador”, é a de evangelizarmo-nos a nós mesmos antes de nos entregarmos às grandes tarefas doutrinárias, quais as reuniões mediúnicas. Porque de outro modo, pondera o nobre Espírito, poderemos nos esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de nossa missão.

Vivência evangélica e moralidade
Bem se vê – pelo que se disse mais atrás – que tal vivência implica no cultivo da moralidade, pois pouco nos adianta conhecer a fundo o texto evangélico e nos comportarmos como os “sepulcros caiados” que o Cristo criticou há dois mil anos, porquanto irrepreensíveis na aparência e conspurcados na intimidade... “O primeiro inimigo do médium reside dentro dele mesmo, reforça-nos Emmanuel.
Tal inimigo, diz o Mentor, apresenta-se frequentemente como o personalismo, a ambição, a ignorância ou a rebeldia no voluntário desconhecimento de nossos deveres à luz do Evangelho, fatores de inferioridade moral que, não raro, nos conduzem à invigilância, à leviandade e à confusão dos campos produtivos.
Mas há meio de nos safarmos: “Contra esse inimigo é preciso movimentar as energias íntimas pelo estudo, pelo cultivo da humildade, pela boa vontade, com o melhor esforço de auto educação, à claridade do Evangelho”.
No capítulo XVI de “O livro dos médiuns”, Allan Kardec, devidamente assessorado pelos Espíritos Superiores, tece considerações acerca dos bons médiuns, classificando-os como sérios, modestos, devotados e seguros. Assim como podemos encontrar todas essas características em um só medianeiro, é possível também só observarmos algumas delas, em se tratando daqueles militantes nas hostes espíritas.
O Codificador, porém, traça aqueles caracteres hierarquicamente, ponto o aspecto da seriedade no início da escala. Para Kardec, os médiuns sérios, pois, são “os que não se servem de sua faculdade senão para o bem e para as coisas verdadeiramente úteis; creem profana-la fazendo-a servir à satisfação de curiosos e de indiferentes, ou para futilidades”.
Entendemos que alguém nessas condições estará apto à modéstia, à devoção à causa abraçada e principalmente à segurança no exercício de suas faculdades medianímicas.
De modo que “além da facilidade de execução”, pondera o Codificador, “merecem plena confiança, por seu próprio caráter, a natureza elevada dos Espíritos que os assistem, e que são menos expostos a serem enganados”.
Assim, convém estarmos atentos ao trabalho disciplinado e responsável, conscientes de que, como nos alertam os Emissários do Cristo em O Livro dos Espíritos, “não fazer o bem já é fazer o mal”.

Sugestões de leitura:
Franco, Divaldo P. e Teixeira, J. Raul – Diretrizes de Segurança (Ed. Fráter).
Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVIII, itens 10 a 12.
_________ – O Livro dos Espíritos.
_________ – O Livro dos Médiuns.
Vieira, Waldo / André Luiz – Conduta Espírita (FEB).
Xavier, Francisco Cândido / Emmanuel – O Consolador (FEB). 

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