domingo, 17 de março de 2013

Amizades espirituais

Francisco Muniz

Diz Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, que os melhores medianeiros são aqueles que se enganam menos, por simpatizarem mais com os bons espíritos. Tal simpatia, parece óbvio, é ao mesmo tempo semente e fruto de verdadeiras amizades que se espraiam nos dois lados da vida. Por isso, merece especial atenção a relação entre os médiuns e os espíritos elevados, qual a que envolveu a médium Yvonne do Amaral Pereira e o Espírito Adolfo Bezerra de Menezes, cujo aniversário de renascimento na carne, ocorrido em 1831, no Ceará, comemora-se no dia 29 de agosto. Eis uma razão para prestarmos uma humilde homenagem a esse valoroso trabalhador do Bem, que na Terra é reverenciado tanto como "o Kardec brasileiro", pelo muito que fez em prol da Doutrina Espírita, quanto "o médico dos pobres", por motivos evidentes.
Do ponto de vista do exercício mediúnico, a parceria entre Yvonne e Bezerra produziu valiosos exemplares da literatura espírita, que em muito enriqueceram o panorama intelectual do movimento espírita brasileiro, tanto pela beleza da expressão literária de cada obra quanto por seu conteúdo doutrinário. Pelas mãos da médium fluminense, nascida no município de Valença (RJ), hoje rebatizado como Rio das Flores, e desencarnada no Rio de Janeiro, em 1984, surgiram preciosos trabalhos da lavra do prestimoso instrutor espiritual, a exemplo de Dramas da Obsessão, A Tragédia de Santa Maria e Nas Telas do Infinito - este, em conjunto com o Espírito Camilo Castelo Branco, também autor do clássico Memórias de um Suicida. Mas, além de ditar essas obras, Bezerra colaborou com Yvonne supervisionando vários trabalhos psicográficos, como os livros Devassando o Invisível (assistência do Espírito Charles, mentor da médium), A Família Espírita, Evangelho aos Simples, A Lei de Deus, Contos Amigos e O Livro de Eneida (assistência de Charles e Léon Tolstoi).
Talvez tenha sido o nome venerando de Bezerra de Menezes o facilitador da carreira literária espírita de Yvonne, uma vez que Nas Telas do Infinito foi seu primeiro livro publicado pela Federação Espírita Brasileira - editora de todas as suas obras -, antes de Memórias de um Suicida e Amor e Ódio. Conforme a médium relata nas páginas de abertura de À Luz do Consolador, sua submissão à FEB deveu-se a conselhos de "meus amados Guias Espirituais Bezerra de Menezes e Charles". Tais Espíritos, conta Yvonne, lhe diziam: "Somente à Federação Espírita Brasileira confia tuas produções literárias mediúnicas. Se, um dia, alguma delas for rejeitada, submete-te: guarda-a, a fim de refazê-la mais tarde, ou destrói-a. Mas, não a confies a outrem". Por tal razão, Yvonne jamais doou nenhum livro que tenha psicografado às editoras que lhe solicitaram publicações, até porque, conforme relata no livro, ela amava e respeitava a Casa-Máter do Espiritismo no Brasil "desde a minha infância".
Não era por acaso o conselho espiritual, uma vez que Bezerra de Menezes havia sido, quando encarnado, presidente da FEB em duas gestões diferentes, em 1889 e 1895, havendo desencarnado em pleno exercício do cargo. Em seu livro Lindos Casos de Bezerra de Menezes (Ed. LAKE), o autor Ramiro Gama registra uma mensagem de nosso homenageado recebida através de Chico Xavier, outro médium que soube honrar suia amizade com os Espíritos. A mensagem, dirigida aos medianeiros, é uma verdadeira receita de estreitamento dos laços de amizade, pela prática da caridade. Nela, o "médico dos pobres" recomenda: "Quem deseja a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos outros; quem procura a consolação, para encontrá-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência". Assim se acumularão tesouros  no céu da consciência, consoante a lição de Jesus, o Amigo Maior".

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