terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Espiritismo e a Ciência

Francisco Muniz 
(publicado originalmente no jornal Tribuna Espírita de Salvador n.° 11, de Out.-Nov.-Dez.2009)


Mais que a Biologia, o Espiritismo é a ciência da Vida. Mais que a Química, é a ciência da Transformação; mais que a Física, é a ciência da Energia; mais que a Meteorologia, é a ciência do Tempo; mais que a Astronomia, é a ciência do Espaço, mais que a Psicologia, é a ciência das Relações; mais que a Matemática, é a ciência da Razão; mais que o Direito, é a ciência da Justiça; mais que a Religião, é a ciência do Divino. Faz algum tempo escrevemos essas palavras. Agora, que se nos é pedido um comentário sobre a Doutrina dos Espíritos em sua relação com a Ciência, elas nos vêm à lembrança, já definindo nosso posicionamento como espírita e perante a ortodoxia da Ciência terrena, bem mais afeita à condição material da natureza.
Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, ressalta que o materialismo é o grande inimigo do Espiritismo e com tais palavras o Codificador quer dizer - assim o compreendemos - que o culto à realidade material, tão somente, é o mal que precisamos combater em nós mesmos. Tendo sucesso nesse tentame, conseguiremos alertar outros companheiros de jornada para semelhante equívoco, consoante as palavras do Cristo: "Estais no mundo, mas não pertenceis a ele" (João 17:11,14). Isto é, nossa natureza mesma é espiritual e é desta ciência (conhecimento) que devemos nos ocupar.
Que não se veja neste nosso pensamento, contudo, nenhuma base de fundamentalismo, uma vez que, conforme condicionou Allan Kardec, o Espiritismo caminhará passo a passo com a Ciência e se modificará naquilo em que a Ciência aponte como erro. Isso significa que, do mesmo modo como a Ciência colabora com a Doutrina, ampliando-lhes os campos de pesquisa, o Espiritismo também é um precioso auxiliar dos desbravadores da natureza material, oferecendo meios de compreensão dos muitos fenômenos que se dão na matéria, tanto quanto no tocante à presença do homem no mundo e suas consequências.
Entre os leigos - e mesmo em alguns setores do movimento espírita - carece de sentido o afirmarmos o caráter científico do Espiritismo (além de ciência, é a Doutrina dos Espíritos também filosofia e religião), por desconhecerem a metodologia das pesquisas efetuadas por Kardec e outros expoentes da ciência espírita. Pura negação a priori, portanto. Entretanto, a par da indiferença dos homens, os espíritos se aproveitam de algumas distrações para se revelarem no mundo, como é o caso da transcomunicação instrumental (TCI), que começou aparentemente por acaso, com as experiências do sueco Friedrich Jurgenson. Após constatar que em suas gravações de cantos de pássaros se misturavam palavras humanas, vindas do mundo dos espíritos, lançou o livro Telefone para o Além, tornando a possibilidade de captação de vozes dos "mortos" conhecida do grande público.
Pensadores e cientistas, no mundo todo, caminham pra o encontro com a realidade do espírito, a exemplo dos físicos Amit Goswami e Fritjof Capra, embora certos setores da pesquisa acadêmica pareçam levar a uma estrada contrária, a julgar pelas manifestações ateístas do biólogo inglês Richard Dawkins, autor de Deus, um delírio. Mas Kardec já havia reparado, desde o século XIX, que a recusa na admissão do mundo dos espíritos se deve unicamente ao orgulho humano e que é só uma questão de tempo até que as evidências ganhem foro de verdade comprovada.

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