sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ecologia mental

Francisco Muniz
(publicado na revista Além da Vida n.° 12)

Os acidentes costumam acontecer quase sempre por imperícia humana ou devido a circunstância que os homens não podem prever ou evitar. Tanto num como noutro caso se cumprem as leis de Deus, posto que não cai uma folha de árvore sem o divino consentimento. E Deus permite, em sua bondade e justiça, que se nos aconteçam determinados episódios, mesmo aqueles tidos como dolorosos ou desagradáveis, seja para nos corrigir erros do passado, seja para provar nossa força e merecimento da divina misericórdia. Somos nos, em suma, os autores das venturas ou desditas que por vezes se nos acontecem.
Ultimamente, o mundo tem presenciado uma sorte incontável de acidentes seguidos de mortes coletivas, aí incluídas até mesmo as guerras. São aviões despencando dos céus com dezenas de passageiros, prédios que desabam com seus moradores, veículos que colidem vitimando ocupantes, trens que descarrilam... e isso quando não se trata dos fenômenos naturais, como os furacões, os grandes incêndios, as nevascas e as ondas de calor, que têm feio vítimas principalmente no hemisfério norte do planeta.
Um dos últimos acidentes que mais causou comoção junto à opinião pública mundial foi o naufrágio do submarino "Kursk", que provocou a desencarnação de 118 (número oficial) tripulantes e um drama de consequências até mesmo políticas na Rússia. O conflito entre palestinos e judeus, em Israel, e a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque também seguem ceifando muitas vidas, embora os combates em território iraquiano já tenham oficialmente se encerrado. Na África, diversos países ainda se encontram em guerra civil...
É preciso que se esclareça, mais uma vez, que o mundo passa por um processo de seleção espiritual. Chegamos ao final de um período de mil anos durante o qual vimos o Homem proceder na Terra de acordo com os impositivos primários da paixão e dos instintos, agredindo-se a si mesmo e aos outros seres da Criação, como se não tivesse que prestar contas de seus atos, como se o planeta não devesse ter resguardadas suas condições de habitabilidade.
Poluindo-se a si mesmo, o homem sujou também o chão onde pisa e o ar que respira. E tudo isso apesar dos constantes avisos do Céus, que se intensificam à medida que nós nos pomos mais céticos, como a fazer-nos ver que quanto mais elevamos a cerviz, orgulhosamente, sobre aqueles que acreditamos subalternos, mais depressa somos confrontados com a realidade verdadeira - aquela que nos põe em pé de igualdade com todos e tudo que nos cerca e nos conscientiza de que há poderes que não podem ser desconsiderados.
Em Ação e Reação (psicografia de Chico Xavier), o Espírito André Luiz cita, no capítulo 18, a questão dos resgates coletivos, estabelecendo os meandros da misericórdia divina atuando sobre bons e maus. Nessa leitura é possível aferir que, mesmo desencarnando em igual situação, cada um terá o gênero de morte que fizer por merecer. Há, nessas como em outras circunstâncias, equipes espirituais de auxílio que intercedem em benefício dos desencarnados, mas mesmo esse socorro decorre ainda da aplicação das leis de justiça e haverá, assim, aqueles a quem o auxílio será tão mais demorado quanto deixe a desejar seu grau de elevação espiritual. Isto é, quanto menos materializado ou apegado à vida material for o espírito, mais depressa ele será atendido na retirada do corpo físico.
Isso quer dizer que, entre os marinheiros do submarino, como em vários casos de naufrágio, é possível que alguns se demorem presos aos despojos se ainda não adquiriram a necessária compreensão acerca da realidade espiritual, indicada precisamente pelo progresso moral e intelectual que tenham feito enquanto encarnados. Será, para eles, um castigo que se auto-aplicaram por se terem devotado em demasia às questões meramente materiais, enquanto observam, se é que têm condições para isso, seus amigos e colegas partirem, cercados de seres luminosos, em demanda das esferas mais felizes.

Um comentário:

  1. Desta forma O que retiro desta lição é que, muitas vezes, o que consideramos tragédias , na verdade não o são, pois tem a permissão de Deus e tudo que o Pai permite, é para nossa evolução.
    Percebo também que a natureza devolve ao homem, a colheita farta de tudo aquilo que semeou. Que temos que conhecer nossa realidade espiritual para que não fiquemos presos nos despojos, quando não houver mais vitalidade no corpo físico. Também que temos que ter consciência da Reencarnação para perdermos o orgulho diante de pessoas que acreditamos subalternas em face da pouca cultura ou do cargo que exerce. Hoje ele, amanhã eu. Só crendo na reencarnação , olharemos qualquer pessoa com mais solidariedade, pois os papéis podem ser invertidos . Obrigada Chico

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