quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Caráter da revelação

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 24 - Ano II - Novembro.2000)

Depois do ótimo "O sexto sentido", o thriller paranormal parece ser o novo filão a ser explorado pelo cinema americano, Desta vez, o clima de suspense quase macabro fica por conta de "Revelação", estrelado por Harrison Ford e Michelle Pfeiffer, e dirigido por Robert Zemeckis (que esteve à frente do também excelente "Contato", sobre vida extraterrestre). O filme é um prato cheio para os cinéfilos espíritas, que adoram ver e comentar as incoerências doutrinárias das histórias, embora saibam de antemão que Hollywood não tem compromisso com a Doutrina Espírita.
A história gira basicamente em torno da mediunidade descontrolada de Claire Spencer (Pfeiffer), uma dona de casa um tanto quanto entediada, pois abandonou a carreira musical para se dedicar ao marido e á filha, que logo no início do filme sai de casa para cursar a faculdade. Ford vive o doutro Norman, cientista de renome e marido dedicado de Claire. Mas o passado e Norman traz à tona acontecimentos bizarros, e quem mais sofre é justamente sua esposa, que passa a ouvir sussurros estranhos pela casa e se vê às voltas com um fantasma de mulher que aparece refletido na água da banheira.
A partir daí, o filme é uma sucessão de sustos vindos do além, até a sequência final, mórbida e asfixiante, que faz a tal "revelação". Estão presentes nesse longa-metragem todos os elementos de um processo obsessivo por espírito desencarnado: um crime, um desejo de vingança, a mediunidade desajustada de alguém próximo daquele a quem se quer atingir.
Como qualquer mulher que vê um espírito em casa, Claire acha que ficou louca. Até aceita consultar-se com um psiquiatra, mas acaba mesmo é realizando uma sessão mediúnica em casa, para entender o que se passa. Norman, o marido, a princípio duvida da esposa, mas aos poucos vai se convencendo de que há, realmente, um espírito entre eles, e o personagem passa então por uma transformação radical.
Descontados os óbvios exageros, que ficam por conta do caráter comercial do filme, a história é perfeitamente plausível, do ponto de vista doutrinário. Trata-se de uma perseguição espiritual, igual a tantas de que temos notícia no meio espírita, só que aterrorizadora e misteriosa como convém ao cinema.
Harrison e Michelle foram duramente criticados por atuarem nesse tipo de filme, que recebeu até a injusta denominação de "Sexta-feira 13 de meia-idade". Mas o fato é que, cada vez mais, as histórias sobre a realidade do mundo espiritual despertam o interesse do público em geral, e os grandes astros e estúdios já perceberam isso.

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