quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um livro para o futuro

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 13 - Ano II - Abril.1999)

Apesar do número graúdo, as 1.019 (algumas edições apresentam apenas 1.018) questões contidas em O Livro dos Espíritos não pretendem apresentam a solução de todos os problemas com que a Humanidade se debate desde muito tempo, apenas apontar suas causas e consequências, para a conscientização dos homens. O livro base da Doutrina dos Espíritos, que no mês de abril de 2013 completará 156 anos de existência, é tão somente o preâmbulo de uma obra que prossegue nos outros quatro volumes da Codificação e não se esgota em si mesma. Lúcido quanto às verdades que ajudava a descortinar, Allan Kardec sabia que apenas dava os primeiros passos na trilha gloriosa do Espiritismo, uma ciência que nos revela o outro lado da vida - o verdadeiro lado da vida, do qual a existência física é uma pálida cópia.
É um livro, assim, para todas as épocas da Humanidade. As perguntas de Kardec, respondidas pelos Espíritos Superiores, sob a égide do Espírito de Verdade, que outro não é senão o próprio Jesus, dão cumprimento às palavras pronunciadas pelo Mestre de Nazaré pouco antes de perecer no sacrifício da cruz: "Se me pedirdes algo em meu nome, eu o farei. Se me amais, observareis meus mandamentos, e rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê nem o conhece. Vós o conhecereis, porque permanece convosco. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós." (João, 14:12-18)

As primeiras questões

Durante algum tempo Kardec ficou embatucado quanto a como iniciar O Livro dos Espíritos, até que, por inspiração, resolveu abordar o princípio das coisas, ou seja, a ideia de Deus e do infinito. Eis as três primeiras perguntas e respectivas respostas:

1 - Que é Deus?
R - Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

2 - O que se pode entender por infinito?
R - Aquilo que não tem começo nem fim: o desconhecido; todo o desconhecido é infinito.

3 - Poderíamos dizer que Deus é o infinito?
R - Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir as coisas que estão além de sua inteligência.

Essa última questão mereceu de Kardec este comentário: "Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração; dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa,  ainda não conhecida, por outra que também não o é".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Abra sua alma!