sábado, 29 de dezembro de 2012

Técnico "espírita" perde cargo na Inglaterra

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 11 - Ano I - Fevereiro.1999)

Um dos postulados do Espiritismo é a reencarnação, instrumento através do qual a Providência Divina promove o progresso dos espíritos. Qualquer neófito na Doutrina Espírita é sabedor dessa lei natural que alcança crentes e ateus, pobres e ricos, sábios e ignorantes. A reencarnação decorre do cumprimento da Lei de Causa e Efeito, que na filosofia oriental é chamada de karma, processo de resgate de faltas cometidas numa existência passada. E isso não se dá apenas no Oriente, mas em todos os quadrantes do planeta onde haja espíritos encarnados. Todos nós, na Terra, estamos resgatando erros cometidos no passado, submetendo-nos a sucessivas reencarnações com o objetivo de atingir a perfeição. Recordemos a explicação do Cristo a Nicodemos: "Não verá o Reino de Deus aquele que não nascer de novo".
Esse postulado espírita, que reafirma a lei do carma, ou de causa e efeito, esclarece as desigualdades entre os homens, fazendo-nos entender por que razão as pessoas nascem com deficiência física ou mental, por exemplo. Ficamos nesse exemplo para citar a polêmica que abalou a Inglaterra no final de janeiro de 1999, após o técnico da seleção de futebol daquele país, Glenn Hoddle, declarar, numa entrevista a um jornal de Londres, que os deficientes físicos e mentais pagavam "pecados cometidos em vidas anteriores". Hoddle foi obrigado a se retratar publicamente e terminou por ser demitido do cargo.
O comentário do técnico de futebol se deveu a um fato relevante: um garoto deficiente físico amante do "esporte bretão" ganhara pernas mecânicas e pôs-se a jogar bola com os amigos, numa demonstração mais que louvável de superação das imperfeições impostas pelo corpo à manifestação do espírito. O "Fantástico", da Rede Globo, abordou o feito com destaque, em uma das suas edições daquele mês. Glenn Hoddle foi instado pelo jornal The Times a comentar o episódio, gerando a polêmica que alcançou os quatro cantos do mundo.
O Espiritismo ainda não encontrou campo muito fértil na terra dos ingleses, apesar do esforço, no século XIX, de pesquisadores do porte de William Crookes, fundador na Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, e do escritor Arthur Conan Doyle, criador do detetive Sherlock Holmes e autor do livro História do Espiritismo, dentre outras obras do gênero. Por essa razão as declarações de Hoddle foram consideradas, no mínimo, estranhas, segundo um jornal espanhol, e o próprio primeiro-ministro inglês, Tony Blair, aconselhou o técnico a deixar a seleção se suas palavras realmente tinham sido aquelas publicadas.
Glenn Hoddle feriu suscetibilidades porque, ainda preso nas malhas do orgulho, o homem vê-se merecedor de privilégios perante a Divindade e acredita nas interpretações teológicas que falam da vida única do espírito sobre a Terra e das recompensas e pensas eternas após a morte. Crê, orgulhosa e egoisticamente, que será reconhecido pelo que aparenta e pelas posses materiais, que envaidecem e iludem, afastando-o da vida, seja física ou espiritual. É uma postura ainda farisaica que se perderá no fosso do esquecimento quando todos, espíritas ou não, nos conscientizarmos cada vez mais da importância de assimilar as verdades espirituais. A necessidade não está apenas entre aqueles que frequentam os centros espíritas, mas espalhada pela Terra inteira.

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