segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Provas da existência de Deus

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 15 - Ano II - 1999)

Questão 4 de O Livro dos Espíritos: Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus? A esta pergunta de Allan Kardec os Espíritos Superiores indicam que essa prova está "num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do Homem, e vossa razão vos responderá". Em complemento à resposta da Espiritualidade, o Codificador ressalta que "para crer em Deus, é suficiente lançar os olhos às obras da criação. O universo existe; ele tem, portanto, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e afiançar que o nada pode fazer alguma coisa".
Com efeito, aprendemos, desde crianças, que Deus está presente em tudo, desde o vírus até a mais íngreme e elevada montanha, do grão de areia à mais distante estrela; Deus está foram manifestando-se em todos os aspectos da natureza, quanto dentro do homem, único ser pensante que pode concebê-lo. Parafraseando Descartes, poderíamos dizer assim: "sou, logo Deus existe". Ora, uma das maiores, senão a maior prova da existência de Deus é a própria inteligência humana, como pondera Léon Denis em O Grande Enigma. Ali, Denis argumenta que, se a inteligência existe no homem, deve encontrar-se nesse Universo de que faz parte integrante, posto que o que existe na parte deve encontrar-se no todo.
"Entretanto, a inteligência humana não é, por si só, sua própria causa. Se o homem fosse sua própria causa, poderia manter e conservar o poder da vida que está em si; mas, em verdade, esse poder, sujeito a variações, a desfalecimentos, excede a vontade humana", diz ainda Léon Denis em O Grande Enigma. Com isso o grande pensador do Espiritismo alude à grande inteligência que governa os mundos, entretendo as forças vitais que movem e modificam a matéria, através de leis perfeitas e imutáveis. "Todas a pesquisas, todos os trabalhos da ciência contemporânea, concorrem para demonstrar a ação das leis naturais, que uma Lei suprema liga, abraça, para constituir a universal harmonia. Por essa lei, uma inteligência soberana se revela a razão mesma das coisas..."
Essa inteligência soberana é Deus, "Razão consciente, Unidade universal para onde convergem, ligando-se e fundindo-se, todas as relações, onde todos os seres vêm haurir a força a luz e a vida; Ser absoluto e perfeito, fundamentalmente imutável e fonte eterna de toda a ciência, de toda a verdade, de toda a sabedoria, de todo o amor". E o mesmo Denis nos lembra que, em nossos momentos mais dolorosos, em todos os tempos e em todos os meios, nós elevamos nossas queixas a esse Espírito divino: "É a Ti, ó Potência Suprema! Qualquer que seja o nome que te deem e por mais imperfeitamente que sejais compreendida; é a ti, fonte eterna da vida, da beleza, da harmonia, que se elevam nossas aspirações, nossa confiança, nosso amor".
"A linguagem humana é, entretanto, impotente para exprimir a ideia doer infinito", ressalta o autor de O Problema do Ser, do Destino e da Dor, que nos exorta: "Não procures Deus nos templos de pedra e de mármore, ó homem que o queres conhecer, e sim no templo eterno da natureza, no espetáculo dos mundos a percorrer o infinito, nos esplendores da vida que se expande em sua superfície, na vista dos horizontes variados (...) Deus está, assim, em cada um de nós, no templo vivo da consciência. É aquele o lugar sagrado, o santuário em que se encontra a divina centelha".

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