domingo, 30 de dezembro de 2012

O destaque do milênio

Richard Simonetti
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 11 - Ano I - Fevereiro.1999)

Até que a história fosse dividia em antes e depois de Cristo, os romanos contavam o tempo a partir da lendária fundação de Roma, em 753 a.C., pelos gêmeos Rômulo e Remo, filhos da vestal Réia Silvia.
Se decidissem efetuar um levantamento das grandes personalidades e acontecimentos de seu primeiro milênio, correspondente a 247 da era Cristã, certamente destacariam a fundação do Capitólio; a fixação do latim como língua dominante; a instalação da República; a Lei das Doze Tábuas, base do sistrema jurídico ocidental; a ascensão e morte de Júlio César; a consolidação do Império; o florescimento das artes com César Augusto; a construção do Coliseu; a destruição de Herculano e Pompéia na erupção do Vesúvio; o legado cultural, com Juvenal, Suetônio, Marco Aurélio, Sêneca...
Por insignificante, seria ignorada a seita formada por adeptos de um carpinteiro judeu que morrera crucificado na Palestina, sob o governo do procurador romano Pôncio Pilatos, aproximadamente no ano 786 da fundação de Roma. Eram uns doidos inofensivos que anunciavam o advento de um Reino Divino, onde todos seriam irmãos. Ingênuos, exaltavam estranhos princípios: o perdão incondicional das ofensas, a mansidão, o desprendimento dos bens materiais, o amor ao próximo, a paciência, a humildade, a disposição para o sacrifício...
Serviam bem aos propósitos dos governantes, quando elegiam um bode expiatório para suas sandices, como aconteceu com o imperador Nero, que os culpou pelo criminoso incêndio de Roma, que ele próprio ordenara no ano romano de 821. O povo divertia-se muito com a morte de centenas deles, devorados por feras famintas ou transformados em tochas vivas, no Coliseu.
Jamais poderiam imaginar os historiadores que a desdenhada seita, para a qual não havia lugar na história de Roma, haveria de crescer irresistivelmente, na mesma proporção em que o império definharia. Pior: a data de nascimento de seu fundador, um tal de Jesus, substituiria a cronologia inspirada na fundação de Roma para a contagem do tempo.

***

Faço essa digressão para comentar uma publicação da revista americana Life, traduzida pela revista Veja, edição especial, que exalta os eventos e personalidades mais importantes deste milênio [o que acabou no ano 2000]. No campo religioso destacam-se o Pentecostalismo, as Cruzadas, a Reforma Protestante e figuras como o Papa Inocêncio III, Joana D'Arc, Tomás de Aquino, Martim Lutero e João Calvino. Aparecem também grandes filósofos como René Descartes, John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Adam Smith, Immanuel Kant, Thomas Jefferson, Karl Marx...
Ficaram de fora, nem sequer foram cogitados: um professor francês que adotou o pseudônimo de Allan Kardec para lançar, em 18 de abril de 1857, O Livro dos Espíritos, e a Doutrina Espírita, nele exposta, o mais revolucionário e importante movimento de ideias do milênio.
Pode parece ousada e pretensiosa essa colocação, leitor amigo. Entretanto, se você se der ao trabalho de analisar tudo o que se pensou, neste milênio que se finda, verá ideias interessantes, ideias envolventes, ideias renovadoras, mas nenhuma capaz de rivalizar com o Espiritismo.
Todas elas falam ao homem perecível. Quando, timidamente, cogitam da vida além túmulo, onde todos estaremos um dia, o fazem de forma especulativa e fantasiosa. O Espiritismo fala ao Espírito imortal. Estabelece uma ponte até então inimaginável entre o aquém e o além para nos oferecer a gloriosa visão do mundo espiritual, situando-nos como passageiros em trânsito pela escola terrestre, a caminho do infinito.
Na perspectiva atual, analisando o primeiro milênio do calendário romano, a partir da fundação de Roma, o acontecimento mais importante foi o Cristianismo, exaltando o amor como base fundamental para a construção do Reino de Deus.
Dentro de alguns séculos, com a visão em perspectiva mais objetiva, que só o tempo, senhor da verdade, oferece, os historiadores exaltarão o Espiritismo como o acontecimento mais importante deste milênio. É o Consolador prometido por Jesus. Veio na época oportuna, de maturidade intelectual e mental da Humanidade, para oferecer ao homem atormentado de nosso tempo uma gloriosa visão de imortalidade, conscientizando-o de suas responsabilidades, ante a certeza da vida que não acaba nunca e onde nunca está ausente a justiça de Deus.
Esse o grande destaque!

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