segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Música & mensagem (II)

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 16 - Ano II - Setembro.1999)

Deixa chover
(Guilherme Arantes)

Em certos dias de chuva
Nem é bom sair de casa e agitar
É melhor dormir
Se você tentou e não aconteceu
Valeu
Infelizmente nem tudo é
Exatamente como a gente quer
As pessoas sempre têm
Chance de jogar de novo e errar
Ter o que convém
Receber alguém no seu coração
Ou não
Infelizmente nem tudo é
Exatamente como a gente quer
Deixa chover, deixa a chuva molhar
Dentro do peito há um fogo ardendo
Que nunca vai se apagar 
Dentro do peito há um fogo ardendo
Que nunca, nunca vai apagar...

Escolhemos essa canção do compositor Guilherme Arantes para comentar mensagens positivas transmitidas por algumas músicas do cancioneiro popular brasileiro, por identificarmos nela semelhanças com a proposta do Espiritismo. Como sabemos, a composição artística obedece muitas vezes à inspiração, que podemos entender como uma ligação entre o artista e a fonte de onde tudo provém. Acreditamos, assim, que Guilherme Arantes estava particularmente inspirado quando compôs "Deixa chover", cuja mensagem passamos a analisar sob o crivo da Doutrina Espírita.
Dias de chuva são os momentos em que recebemos do Alto os avisos acerca de nossa conduta (os agitos), sendo necessário parar para refletir (é melhor dormir) e dar vazão a nossa religiosidade. Há quem não consiga ou não queira, mas esforçar-se é preciso (se você tentou... valeu...) e a cada tentativa nova chance estamos tendo de encontrar-nos conosco mesmos, através da identificação de nossa essência espiritual, divina (receber alguém no seu coração, ou não...). Ms só querer não basta (infelizmente nem tudo é exatamente como a gente quer): é preciso trabalhar nesse sentido.
Apesar do desejo de nos entregarmos às alegrias que o mundo oferece (sair de casa e agitar), esquecendo nossos compromissos de espírito encarnado, vemos que há forças superiores às nossas que não raro nos impelem ao reconhecimento de nossos limites.  Assim, é necessário "deixar chover", isto é, não podemos impedir que os acontecimentos da vida sigam o rumo traçado pelas leis divinas e, embora às vezes não as aceitemos, devemos ao menos compreendê-las, mesmo que nossas ansiedade e insatisfação (o fogo que arde dentro do peito) insistam em falar mais alto. Esse fogo realmente não acabará, mas se transformará, com a devida compreensão, em vontade de crescer, aprender e compartilhar a herança divina (deixa a chuva molhar...)!

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