sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A guerra e os sinais de evolução

Francisco Muniz
(publicado originalmente na revista Visão Espírita n.° 13 - Ano II - Abril.1999)

O espectro de uma guerra generalizada voltou a amedrontar o mundo em razão das dificuldades em se estabelecer a paz entre sérvios e albaneses da região de Kosovo, na (antiga) Iugoslávia. A despeito do medo que se tem de uma terceira guerra mundial, havemos de convir que o mundo está em constante conflito, posto que as ações beligerantes do Homem espoucam aqui e ali no planeta. Até nas áreas onde se imagina que as pessoas sema mais "civilizadas", mais sensíveis e solidárias, como no Brasil, atos de violência explodem com frequência, apesar das campanhas em favor da pacificação de ânimos e espíritos. Entretanto, jamais houve tanto amor na Terra como nos tempos atuais, como muito tem ressaltado o médium e tribuno baiano Divaldo Franco. E é esse amor que desejamos cubra toda a extensão do planeta, irmanando os homens num só ideal: o da paz.
Além da Iugoslávia, identificam-se conflitos armados na Ásia, África e América do Sul. Timor Leste e Bornéus, na Indonésia, lutam contra a violência. Em Angola, a intolerância vem de longos anos, com pequenos interstícios de pacificação. Na Colômbia e no Peru, guerrilheiros teimam em confrontar a ordem pública. No Oriente Médio, a paz continua sendo uma utopia que o medo e o despotismo não deixam concretizar-se. Nas grandes capitais do mundo, inclusive no Brasil, bandidos e policiais travam uma guerra não declarada, vitimando "culpados" e "inocentes".

Flagelos destruidores

A guerra é um desses flagelos destruidores com que Deus provê o melhoramento da humanidade, através de uma seleção natural dos espíritos. Mas se perguntaria: que seleção é essa, se tanto espíritos bons quanto mais sucumbem nesses conflitos? Para responder, recorremos a O Livro dos Espíritos, que, na questão 737 e seguintes, esclarece-nos quanto a esse problema. Aqueles espíritos considerados bons, assim, desencarnam em decorrência desses flagelos para adquirem mais méritos para o futuro, nas experiências no mundo espiritual. É necessário, porém, encarar tais fatos longe do ponto de vista material, posto que os julgamentos pela aparência, não raro, são falhos.
Ainda segundo a obra basilar do Espiritismo, a guerra se justifica pela predominância da natureza animal do homem sobre seu componente espiritual; seu propósito é tão somente a satisfação de paixões. Mas "à medida que o homem progride, ela (a guerra) se torna menos frequente, porque ele evita as causas, e quando ela se faz necessária, ele sabe adicionar-lhe humanidade". Quanto a esse ponto, observe-se que a mente belicosa dos cientistas tem se ocupado em criar equipamentos mortais cada vez mais sofisticados. Mísseis "inteligentes" estão sendo usados na Iugoslávia e um deles, programado para atingir uma ponte, destruiu também um trem de passageiros, matando mais de dez pessoas.
Entretanto, a guerra é necessária, no atual estágio evolutivo do homem no planeta, e atende aos impositivos da Providência quanto à liberdade e ao progresso da Humanidade. Liberdade porque, confundindo-se com a paz e a superação do domínio dos fortes sobre os fracos, é sempre esse, de alguma forma, o motivo das guerras. Progresso, porque ao final desses conflitos, que são sempre processos de transformação, alcança-se o objetivo, com a consequente reflexão sobre os fatos, o que leva o homem a ponderar melhor seus atos. Há, então, um crescimento moral, espiritual, que se reflete também no aspecto material, a exemplo do que se observou no mundo após a Segunda Grande Guerra.
Sendo, então, necessária a guerra, não há culpados entre os homens nela envolvidos? Os Espíritos Superiores, que nos revelaram a Doutrina Espírita, através de Allan Kardec, salientam que é verdadeiramente culpado aquele que fomenta a guerra em proveito próprio. Esse, acrescentam, "necessitará de muitas existências para expiar todos os assassínios de que foi causa, porque responderá por cada homem cuja morte tenha causado, para satisfazer sua ambição". Essas palavras reforçam, pois, o ensino do Cristo, segundo quem "o escândalo é necessário, mas ai de quem escandalizar"!

Ação construtiva

Mas não é construtivo ficarmos tecendo comentários, pertinentes ou não, acerca de fatos como esses, porque podemos fazer muito para superar esses conflitos, começando por transformar em nós mesmos as tendências belicosas, eliminando de uma vez por todas nossa natureza animal, a fim de vivermos nossa humanidade. Fazendo isso, estaremos colaborando pra a pacificação do mundo, uma vez que todo esforço individual se multiplica: "Um mais um é sempre mais que dois", conforme diz o poeta. Muitas pessoas, principalmente as do meio artístico, comprometidas em exaltar a paz, estão usando uma fita branca presa à roupa, indicando essa intenção. Quem não se afeiçoa a símbolos e rituais pode se integrar às vibrações que diversas instituições religiosas, inclusive espíritas, fazem toda noite em benefício da paz na Terra.
Em tudo e por tudo, lembremo-nos sempre da oferta de Jesus: "Eu vos dou a minha paz!" e lutemos contra o monstro da guerra em nós mesmos, contra nossas imperfeições, e construamos esse mundo de paz com que tanto sonhamos!

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