quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Cidade Estranha

Com o título acima, a revista Visão Espírita publicou, em sua edição n.° 7, de outubro de 1998, um interessantíssimo artigo do cientista e pesquisador espírita Hernani Guimarães Andrade, já desencarnado, que havia sido, quando na carne, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP). O texto informa acerca da existência de conglomerados espirituais voltados para os mais diversos interesses, os quais são, ocasionalmente, extintos e seus apaniguados, espíritos ainda inferiores, levados à reencarnação. A partir dessa constatação, Hernani pede que observemos como se encontra o panorama moral do planeta, desde os anos 1960 - época da contracultura, quando o mundo conheceu uma revolução nos costumes e nunca mais as coisas foram as mesmas! - aos nossos dias, fazendo-nos considerar uma das facetas do movimento de transição espiritual que nosso planeta atravessa presentemente...
Leiam com atenção:

Em 1959 ficamos conhecendo Newton Boechat. Ele acabara de findar um roteiro de palestras e, passando por São Paulo, aproveitou a oportunidade para visitar-nos, iniciando então um relacionamento amistoso conosco, o qual tem durado até os dias de hoje, cada vez mais firme e cordial.
Naquela ocasião ouvíamos, interessados, as informações muito atualizadas que Newton nos comunicava sobre o Movimento Espírita e, particularmente, a respeito de seu convívio com o grande médium de Pedro Leopoldo: Chico Xavier.
Newton Boechat esteve no IBPP, para uma breve visita, no dia 16 de janeiro de 1989, às 14 horas, em companhia do professor Apolo Oliva Filho e dua signa esposa, D. Neyde Gandolfi Oliva. Naquela oportunidade, aproveitamos para relembrar nosso primeiro encontro, ocorrido há trinta anos. Pedi ao Newton que tornasse a contar o episódio que lhe fora revelado por Chico Xavier, em Pedro Leopoldo, e que ele me transmitira naquela ocasião em que nos vimos pela primeira vez.
Os que conhecem Newton são testemunhas da sua notável memória. Aproveitamos, então para obter a gravação do seu depoimento e conservá-lo mais fielmente, para a posteridade e para os arquivos do IBPP. Eis uma súmula do que nos informado pela segunda vez.
Newton Boechat iniciou explicando que inúmeros fatos têm sido contados por Chico Xavier, em caráter íntimo, aos seus amigos, e que, na ocasião, em algumas vezes não era oportuna a sua revelação ao público. Entretanto, com o passar do tempo, tais confidências foram se tornando livres de censura e poderiam ser dadas a conhecer, sem quaisquer inconvenientes. Assim, por exemplo, quando Newton estivera com Chico Xavier, em 1947, na cidade de Pedro Leopoldo, o livro intitulado No Mundo Maior tinha sido recentemente psicografado por aquele médium (mais precisamente, terminou de recebê-lo em 25 de março de 1947). Nesse livro há um capítulo versando sobre sexo (cap. XI). Cerca de 30% da matéria desse capítulo, recebida psicograficamente, tiveram de ser suprimidos, para não causar reações negativas, devido aos preconceitos ainda vigentes em nosso meio, naquela época. Somente mais tarde puderam vir a lume livros que abordaram um tanto livremente questões ligadas ao sexo.
Mas o episódio que Newton ficou sabendo foi-lhe relatado justamente logo após Chico Xavier haver recebido o livro No Mundo Maior [ditado pelo Espírito André Luiz], há 41 anos. Em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, havia um bambuzal onde o médium costumava passear e conversar com os amigos que o procuravam. Foi ali que Chico revelou o caso ao Newton. Ei-lo:
Em um dos constantes desdobramentos astrais ocorridos com o nosso médium maior, durante o sono, Emmanuel conduziu o duplo-astral de Chico Xavier a uma imensa "cidade espiritual", situada numa região do Umbral. Esta lhe pareceu extremamente inferior e bastante próxima da Crosta Planetária.
Era uma "cidade estranha" não só pelo seu aspecto desarmônico e antiestético, como pelas manifestações de luxúria, degradação de costumes e sensualidade dos seus habitantes, exibidas em todos os logradouros públicos, ruas, praças, etc. Emmanuel informou a Chico que a vasta Comunidade Espiritual era governada por entidades mentalmente vigorosas, porém negativas em termos de ética e sentimentos humanos. Eram esses maiorais que davam as ordens e faziam-se obedecer, exercendo sobre aquelas entidades um poder do tipo da sugestão hipnótica, ao qual tais espíritos estariam submetidos, ainda mesmo depois de reencarnados.
Pelas ruas da referida cidade estranha desfilavam, de maneira semelhante a cordões carnavalescos, multidões compostas de entidades que se esmeravam em exibições de natureza pornográfica, erótica e debochada.
Os maiorais eram conduzidos em andores ou tronos colocados sobre carros alegóricos, cujos formatos imitavam os órgãos sexuais masculinos e femininos.
Uma euforia generalizada parecia dominar aquelas criaturas ou, mais apropriadamente, assistia-se a uma "festa de despedida" de uma multidão revelando a certeza da aproximação de um fim inexorável, que extinguia a situação cômoda, até então usufruída por todos. De fato, aqueles Espíritos, sem exceção, haviam recebido um aviso de que estava determinado, de maneira irrevogável, pelos Planos da Espiritualidade Superior, o seu próximo reingresso à vida carnal na Terra. A esse decreto inapelável não iriam escapar nem os próprios maiorais.

Alguns anos se passaram...

O relato de Newton Boechat foi-nos transmitido aproximadamente dez anos depois do seu bate-papo com Chico Xavier, em Pedro Leopoldo. Na ocasião em que o ouvimos, o fato causou-nos forte impressão e pudemos gravá-lo bem na memória. Cerca de doze anos se passaram depois de Newton nos fez essa revelação.
Lembramo-nos de que ainda trabalhávamos em uma divisão do DAEE, em São Paulo. Um dos nossos colegas havia regressado de uma viagem de férias. Ele estivera nos países do norte da Europa e, surpreendidíssimo, vira em bancas de jornais, em algumas capitais, revistas pornográficas expostas à venda livremente. Impressionado com aquela novidade, ele adquiriu algumas revistas e trouxe-as, para mostrar aos amigos o que estava se passando naqueles países "ultracivilizados". No dia em que o nosso colega recomeçou a trabalhar, ele nos mostrou as tais revistas.
Imediatamente lembramo-nos do episódio que nos fora relatado por Newton e, inadvertidamente, deixamos escapar uma expressão que nenhum dos nossos colegas entendeu: "Oh! Eles estão aí!"
Realmente, percebemos imediatamente que aquelas revistas deviam ser um dos sinais típicos do reingresso daqueles espíritos que jaziam nas zonas do Baixo Astral, na corrente da Vida Terrena. Com eles viriam mudanças profundas nos costumes da Humanidade: a licenciosidade; as "músicas" ruidosas e desequilibrantes; a rebeldia dos nossos filhos; a instabilidade das instituições familiares e sociais; e, finalmente, o que presenciamos, hoje em dia, com o recrudescimento da criminalidade e da insegurança, além do cortejo de outros inúmeros problemas com os quais se defrontam as criaturas humanas, neste atribulado fim de século.

Conclusão

É elementar, e poucos ignoram que a História da espécie humana apresenta-se pontilhada de períodos de grandes crises, seguidos de fases de prosperidade e reequilíbrio. É semelhante a uma sucessão de ciclos que se desenvolvem como uma espiral em constante ascensão. Há lento progredir, apesar dos episódios negativos. Provavelmente os Planos Superiores da Espiritualidade velam pela Humanidade, dosando sabiamente os "ingredientes" injetados na corrente da vida. A par dos espíritos rebeldes, reencarnam também aqueles que lutam pelo Bem, pela Ciência e pelo aperfeiçoamento do homem. Não percamos a esperança.

(Fonte: "Lições de sabedoria", edição FE)

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