terça-feira, 13 de novembro de 2012

Indulgência

Francisco Muniz

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga dos luminares da Terceira Revelação sobre qual noção tinha Jesus quanto à caridade. Em resposta, os Espíritos Superiores declinaram estes três preceitos: benevolência para com todos, indulgência para com as faltas alheias e perdão das ofensas. Como se vê, a indulgência é dos importantes tipos de caridade, constituindo em não reparar nos defeitos ou nos erros dos outros. Sendo ninguém perfeito e não havendo perfeição sobre a Terra, que direito terá alguém de cobrar um comportamento irreprochável de seu semelhante?
Se não temos o direito de exigir, também não devemos censurar a quem quer que seja. O que devemos entender, na verdade, é que cada um é livre para agir como sabe e pode, e que muitos de nós ainda não compreendemos o suficiente para nos portarmos de modo mais condizente com os conceitos de ética e moralidade. Por essa razão, o Cristo nos ensina a não julgar, a fim de que também não sejamos julgados, o que se dá com a mesma medida utilizada nos julgamentos feitos.
A indulgência, assim, é, de acordo com o Evangelho Segundo o Espiritismo (do mesmo Allan Kardec), uma daquelas recomendações do Cristo no sentido de usarmos de misericórdia para com os demais. Sua falta, ou melhor, sua inobservância, acarretará pesado ônus, posto que, conforme o aviso de Jesus, a cada um será dado de acordo com suas obras. Quer dizer: se ser misericordioso é o passaporte para se alcançar misericórdia, deixar de fazê-lo é escolher o caminho do desprezo, do qual a consciência se ressentirá tão fortemente quanto tenha sido sua indiferença para com a própria tarefa de autoaperfeiçoamento... 

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