segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Saudade de Elzio Ferreira de Souza

(Recolhido do jornal Tribuna Espírita de Salvador - n.º 15

Doutor Elzio (foto), como era mais conhecido no movimento espírita baiano, desencarnou em 2006, aos 80 anos de idade, deixando uma lacuna que dificilmente será preenchida. Para falar sobre ele, entrevistamos a médium Diana Santiago, atualmente diretora-tesoureira do Círculo Espírita da Oração, a “Casinha”, onde conviveu por mais de 20 anos com nosso homenageado, cuja memória reverenciamos neste momento. Diana é também musicista e professora universitária.

1 – Quem era de fato Elzio Ferreira de Souza?
Essa é uma pergunta difícil! No livro Nosso Lar, aprendemos que o bônus-hora "representa a possibilidade (...) de remunerar alguém que se encontre em nossas realizações, mas o critério quanto ao valor da hora pertence exclusivamente a Deus". De modo similar, penso que somente Deus sabe quem é de fato uma pessoa. Acredito, contudo, poder afirmar que, para nós do Círculo Espírita da Oração (que preferimos denominar de Casinha, como ele mesmo fazia), o irmão Elzio Ferreira de Souza foi sempre o exemplo do fiel seguidor de Jesus. Ele era sobretudo uma pessoa de profunda dedicação à oração, que conseguia estabelecer duradoura sintonia com os mentores da espiritualidade junto aos quais se comprometeu com o trabalho espírita. Era um incansável trabalhador em prol das ideias espíritas, principalmente na divulgação do livro. Mentalidade aberta, dedicada ao estudo aprofundado das obras de Kardec, trabalhar com ele na revisão dos livros e nas atividades doutrinárias da Casinha foi um aprendizado imorredouro.

2 – O Círculo Espírita da Oração, ou “a Casinha”, como ele dizia, ressente-se hoje da ausência física de Dr. Elzio?
É claro que tivemos que nos adaptar a não tê-lo fisicamente do nosso lado, mas, sua presença é percebida com frequencia na Casinha e, com certeza, ele pode agir com muito mais desenvoltura no mundo espiritual, pois, "desligado dos liames da matéria", pode decerto atuar num nível de abrangência mais amplo.

3 – Tendo convivido com o Dr. Elzio Ferreira de Souza, de que modo você prefere recordar-se dele?
Tive a oportunidade de conviver vinte e três anos no trabalho espírita com Dr. Elzio. Apesar de ser eu mesma uma acadêmica, afeita desde criança ao estudo e, por isso, tendo encontrado em Dr. Elzio desde que o conheci um estímulo para o aprimoramento intelectual, prefiro recordá-lo como o homem de profunda capacidade de oração. Há grande diferença entre um intelectual e um sábio. Considero Dr. Elzio um sábio, no sentido de "espírito de sabedoria" dado no Livro dos Espíritos, em que prevalece a moral sobre o intelecto. Mesmo se suas ideias pudessem parecer estranhas para muitos, mesmo que possa ter errado em uma ou outra avaliação e/ou decisão (só o tempo poderá dizer), sua capacidade de interpretar o legado kardequiano e, sobretudo, o Evangelho de Jesus passava sempre pelo crivo da oração. Recordo-me dele, em resumo, como o indivíduo que examinava os textos que lesse com o critério da razão, seguindo a recomendação de Kardec, mas, sobretudo, como o indivíduo que se banhava na luz da oração para nela encontrar o alimento que o sustentava e guiava em quaisquer decisões. No convívio na Terra, raramente encontramos pessoas assim, pois nosso planeta ainda é um local onde joio e trigo medram lado a lado. Agradeço a Deus poder ter convivido com ele e, espero, aprendido com ele a orar e a servir.

4 – Quatro anos após sua desencarnação, que legado Dr. Elzio deixou para o movimento espírita baiano?
Indubitavelmente, o maior legado de Dr. Elzio ao movimento espírita baiano foi aquele propiciado por sua atividade como diretor da Livraria Vinha de Luz, na Casa de Petitinga (FEEB). Se os livros de Yoguin, seu mentor, não são, penso, apreciados e valorizados o quanto deveriam - pois discorrem sobre problemas doutrinários a partir de ângulos inéditos no movimento espírita brasileiro - seu trabalho como divulgador de livros lançou raízes duradouras no movimento espírita baiano. Sua forma de atuação nesta área, sua visão doutrinária aliada à capacidade de selecionar obras que enriquecessem os horizontes dos frequentadores daquela livraria em vários aspectos (filosóficos, religiosos e científicos), sua incansável busca por novos lançamentos em várias línguas, possibilitaram a transformação de consciências, ampliando os horizontes intelectuais e espirituais de pelo menos duas gerações de espíritas. Se considerarmos que os beneficiados desta sua atuação se encontram dispersos por todo o estado e muitos deles são inclusive palestrantes e escritores, percebe-se o impacto obtido por sua tarefa.

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