terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A guerra e os sinais de evolução

Francisco Muniz

A guerra é um desses flagelos destruidores com que Deus provê o melhoramento da humanidade, através de uma seleção natural dos espíritos. Mas se perguntaria: que seleção é essa, se tanto espíritos bons quanto maus sucumbem nesses conflitos? Para responder, recorremos a O Livro dos Espíritos que, na questão 737 e seguintes, esclarece-nos quanto a esse problema. Aqueles espíritos considerados bons desencarnam em decorrência desses flagelos para adquirir mais méritos para o futuro, nas experiências no mundo espiritual. É necessário, porém, encarar tais fatos longe do ponto de vista material, posto que os julgamentos pela aparência, não raro, são falhos.
Ainda segundo O Livro dos Espíritos, a guerra se justifica pela predominância da natureza animal do homem sobre seu componente espiritual; seu propósito é tão somente a satisfação das paixões. Ms "à medida que o homem progride, ela (a guerra) se torna menos frequente, porque ele evita as causas, e quando ela se faz necessária, ele sabe adicionar-lhe humanidade". Quanto a esse ponto, observe-se que a mente belicosa dos cientistas tem se ocupado em criar equipamentos mortais cada vez mais sofisticados. Mísseis "inteligentes" foram usados na guerra civil da extinta Iugoslávia (em 1999) e um deles, programado para atingir uma ponte, destruiu também um trem de passageiros, matando mais de dez pessoas.
Entretanto, a guerra é necessária, no atual estágio evolutivo do homem, e atende aos impositivos da Providência quanto à liberdade e ao progresso da Humanidade. Liberdade, porque, confundindo-se com a paz e a superação do domínio dos fortes sobre os fracos, é sempre esse, de alguma forma, o motivo das guerras. Progresso, porque ao final desses conflitos, que são sempre processos de transformação, alcança-se o objetivo, com a consequente reflexão sobre os fatos, o que leva o homem a ponderar melhor seus atos. Há, então, um crescimento moral, espiritual, que se reflete também no aspecto material, a exemplo do que se observou no mundo após a Segunda Grande Guerra.
Sendo, então, necessária a guerra, não há culpados entre os homens nela envolvidos? Os Espíritos Superiores, que nos revelaram a Doutrina Espírita, salientam que é verdadeiramente culpado aquele que fomenta a guerra em proveito próprio. Esse, acrescentam, "necessitará de muitas existências para expiar todos os assassínios de que foi causa, porque responderá por cada homem cuja morte tenha causado, para satisfazer sua ambição". Essas palavras reforçam, pois, o ensino do Cristo, segundo quem "o escândalo é necessário, mas ai de quem escandalizar".
Mas não é construtivo ficarmos tecendo comentários, pertinentes ou não, acerca de fatos como esses, porque podemos fazer muito para superar esses conflitos, começando por transformar em nós mesmos as tendências belicosas, eliminando de uma vez por todas nossa natureza animal. Fazendo isso, estaremos colaborando para a pacificação do mundo, uma vez que todo esforço individual se multiplica. "Um mais um é sempre mais que dois", disse o poeta. Muitas pessoas, principalmente as do meio artístico, comprometidas em exaltar a paz, estão usando (em 1999) uma fita branca presa à roupa, indicando essa intenção. Quem não se afeiçoa a símbolos e rituais pode se integrar às vibrações que diversas instituições, inclusive espíritas, fazem toda noite em benefício da paz na Terra. Em tudo e por tudo, lembremo-nos sempre da oferta de Jesus: "Eu vos dou a minha paz!" e lutemos contra nossas imperfeições, e construamos esse mundo de paz com que tanto sonhamos!

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