O mínimo e o máximo

Francisco Muniz


Nos anos 1980, quando o Brasil experimentou o "boom" do rock nacional e muitas bandas tiveram seus cinco minutos de fama, em aparições meteóricas, uma delas, intitulada O Espírito da Coisa, fez sucesso com a composição "Salário mínimo". O refrão icônico e irônico da canção (segundo o Google) diz exatamente isto: "O máximo que eu posso fazer por você / É lhe dar um salário mínimo / O mínimo é o máximo e o máximo é o mínimo..."

Nem mais nem menos.

Mas ontem eu indaguei dos companheiros do grupo de estudos espíritas qual seria a diferença entre o mínimo e o máximo e minha filha, também integrante desse grupo, arriscou: "O médio!" Eu entendi "o médium", que em latim significa exatamente o meio e felicitei Sal pelo precioso alvitre que talvez corresponda a um rifão do zen budismo que um dia aproveitei num dos capítulos de meu primeiro livro espírita, o "Lições do Evangelho para a vida prática".

O tal rifão aconselha: "faça seu mínimo e Deus o alcançará no máximo".

Esse pensamento coaduna com a função do trabalhador consciente da mediunidade, porquanto ele (nós!) é chamado a realizar esforços com vistas à sua transformação moral. De acordo com os Espíritos que auxiliaram Allan Kardec na codificação da Doutrina Espírita, esses esforços, em verdade, são mínimos, embora pareçam, à nossa limitada percepção, algo além de nossas forças.

Nessa perspectiva, como diria o saudoso companheiro Gledson Barreto, cabe-nos dar o mínimo de cooperação na obra do Cristo na Terra para que seus emissários junto a nós possam, em nome do Divino Amor, cumular-nos de novas energias, na forma de estímulos enobrecedores.

Nosso mínimo, muitas vezes, é apenas a boa vontade de trabalhar em prol do bem comum, fazendo ao próximo exatamente aquilo que gostaríamos ele nos fizesse, tal como ensinou o Cristo há mais de dois mil anos. E o máximo virá sempre como aquele acréscimo de misericórdia a que façamos jus unicamente por termos dito "sim" ao convite para o trabalho na Vinha do Senhor.

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