Francisco Muniz
Como este ano nossa Casa decidiu, por inspiração da Equipe Espiritual dirigente, estudar as noções acerca do Homem de Bem tal como registrado no terceiro item do Cap. XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, é de bom tom tecermos alguns comentários acerca das lições ali exaradas. Já falamos um pouco sobre o desprendimento dos bens materiais, reforçando a ideia trazida pelo Cristo de que nossos bens verdadeiros são os de natureza moral, aqueles que levamos conosco quando da despedida da experiência física. Desta vez trataremos de nossa esfera sentimento ou mesmo emocional, destacando os sentimentos que nos fazem responsáveis pelos esforços de harmonia em nós mesmos e uns junto aos outros.
Assim é que Allan Kardec, autor do texto a que nos referimos, pondera que “o homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus”, razões pelas quais “respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam”. Não é tudo. Seguindo o pensamento do Codificador, notamos que o homem de bem, “possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre seus interesses à justiça”.
Ora, Kardec diz que “o verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de amor, justiça e caridade em toda sua pureza” e precisamos, assim, primeiro, que não somos ainda esse “verdadeiro homem de bem”, mas candidatos a essa condição. Depois, é necessário entendermos o que significa essa aludida caridade, que em suma é amor e justiça. O Codificador do Espiritismo quis entender a questão e perguntou aos Espíritos Superiores como é que Jesus entendia a caridade e a resposta, tripla, deve nos fazer pensar e agir de conformidade com a moral do Cristo: “Benevolência para com todos; indulgência para com as faltas alheias; e perdão das ofensas”. Seguindo tais preceitos, estaremos efetivamente praticando a caridade e nos aproximando cada vez mais da posição do homem de bem.
Praticar a lei de amor, justiça e caridade, convenhamos, é muito mais do simplesmente fazermos o bem aos outros: é, na verdade, sermos bons, desprendendo-nos do mais grave defeito que manifestamos rotineiramente, o personalismo, raiz de nosso proverbial egoísmo, do qual se originam nossos males morais, os vícios que precisamos urgentemente corrigir. Em O Livro dos Médiuns, Kardec salienta que o personalismo é o principal obstáculo que os médiuns precisam superar, a fim de serem bons instrumentos junto aos bons Espíritos e terem algum sucesso durante o intercâmbio mediúnico, no socorro terapêutico e no esclarecimento aos irmãos necessitados da Erraticidade.
Vamos, notar, porém, que nossos ensaios na direção do homem de bem começam no ambiente sagrado do lar. É forçoso, então, recordarmos as palavras de Irmã Bernadete quando nos conclamava a adotar uma postura sadia em casa, policiando pensamentos em palavras para que experimentássemos sempre uma feliz convivência familiar. Nossos avós, a propósito, diziam que o costume de casa vai à praça, significando que a educação doméstica é manifestada nos ambientes externos. Mas se nos vemos em contradição, sendo desatenciosos e desrespeitosos no lar, a despeito de nossa dedicação aos labores da Casa Espírita, é fácil convir que em verdade nós entramos no Espiritismo mas ainda não deixamos que a Doutrina entre em nós, para que haja a imprescindível mudança de atitude.
Busquemos, portanto, vestir a túnica nupcial proposta por Jesus na parábola do festim de bodas e assim, procurando purificar o coração, extirpando os maus costumes e resistindo às más tendências da alma em crescimento, exercitemos as práticas nobilitantes e sejamos, mais que ontem e seguramente menos que amanhã, verdadeiros homens de bem.
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