Um pouco de Moisés

Francisco Muniz



Em 2021, há cinco anos, portanto, eu lia a história de Moisés, em volume da coleção "Os grandes iniciados", do francês Édouard Schuré. Segundo este autor, o Moisés da Bíblia, o que teria escrito o Pentateuco (os cinco primeiros dos livros sagrados), ou pelo menos a história dele, é só uma lenda.

O grande libertador dos hebreus seria mesmo um príncipe e sacerdote egípcio que realizou tão grande façanha apenas porque tornou-se proscrito após matar um compatriota e também por ter caído de amores pelo Deus único...

Mas Moisés, sob as luzes da Doutrina Espírita, é personagem de elevada estatura espiritual e sobre ele repousa a primeira revelação de Deus à Humanidade, através da recepção do 10 mandamentos da Lei no alto do Monte Sinai.


Moisés também aparece com destaque no episódio da transfiguração de Jesus no Monte Tabor, junto com Elias, para assombro dos três apóstolos presentes: Pedro, Tiago e João, que ali comprovaram a imortalidade da alma.

Voltando ao livro de Édouard Schuré, ele conta um episódio tomado como lenda judaica que permite profundas reflexões. Diz ele que Jeová/Iavé proibiu Moisés de entrar na Terra Prometida, nem vivo nem morto:
- Não podes entrar, por causa de teus pecados.
- Pequei, então, contra Deus?
- Não, mas pecaste contra o homem. Dúvidas te dá sua fome instintiva de luz... O homem é covarde, bestial, invejoso, lascivo, mentiroso, infiel, sanguinário e perverso. Entretanto, quem és tu mesmo, senão um homem? E se tu compreendes os meus preceitos, por que duvidas que os teus semelhantes um dia os venham a compreender?
- Mas tardam tanto a aprender!
- Têm toda a eternidade para isso. Os homens devem ser pacientes; e Eu, o Deus de Misericórdia, também serei paciente.

Quando Moisés ouviu essas palavras, resignou-se a morrer. Pois conheceu então que a Terra Prometida não é Canaã, mas o mundo inteiro - a perpétua escola de justiça, clemência e amor.

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