Prelúdios do retorno

Francisco Muniz



Há um ano, Divaldo Franco estava se preparando para desencarnar. Segundo revelou - e o jornal noticiou -, seus mentores já sinalizavam quanto à lição máxima do câncer que o famoso tribuno enfrentava na ocasião. Ele, que tão bem viveu o Evangelho e o cristianismo, representando a proposta espírita no mundo todo, já estava pronto, de fato, para a recepção que o aguardava do outro lado da vida - o lado invisível, que não vemos mas sentimos.

Em razão desse fato, chega-nos a reflexão. Ainda que não sejamos um Divaldo, um Chico Xavier, temos, de qualquer modo, pelo simples conhecimento de que somos Espíritos imortais, de fazer tanto a preparação íntima quanto os preparativos para o grande dia da morte do corpo. Preparação é cuidado íntimo, enquanto preparativos são os cuidados com nosso entorno, ou seja, a realização de obras a partir da fé em Deus e no futuro.

Em nosso culto doméstico do Evangelho, Beatriz é quem faz a leitura principal e seus dedos com alguma frequência abre o terceiro livro da Codificação espírita numa das perguntas de Allan Kardec sobre a importância de não desperdiçarmos um minuto sequer no enfrentamento de nossas provas, principalmente quando, em meio a uma enfermidade de longo curso, encontramo-nos em "estado terminal".

É, de qualquer modo, um apelo no sentido de não descurarmos de nossas responsabilidades ante a iminência do retorno. É imperioso não deixamos pendências no mundo quando já temos alguma noção da realidade espiritual, porquanto o que ligamos na Terra ligamos no Céu, e o que desligamos aqui desligamos lá, conforme disse o Cristo. Aí a razão da preparação e dos preparativos, até porque um dia retornaremos ao campo de batalhas que é a vida material e suportaremos outra vez o que deixamos inacabado...

Comentários

  1. Exatamente, meu amigo! Esse cuidado é diário, num burilamento incessante do nosso íntimo. Perseguindo as características do Homem de bem. Abraços fraterno, Ana Amélia.

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    1. Que bela visita! Que comentário mais lúcido! Obrigado, Ana. Volte sempre.

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